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Bugs And Loves (ptbr)

1 - Dias Incríveis

1 - Dias Incríveis

Feb 12, 2025

Parte 1

Velha infância.

1 - Dias incríveis.

Dava pra se dizer que o primeiro amigo de Arthur foi Simon. O primeiro amigo que não fosse suas mães e sua irmã.

Enquanto todos queriam um melhor amigo, uma pessoa preferida, Arthur não tinha par algum, sequer.

Mas ele sempre foi otimista. Todo ano ele esperava ganhar amigos, mas ninguém queria um esquisito que adorava sentir as minhocas na terra, que passava maquiagens de brinquedo na cara e que tinha uma pequena separação entre um dente e outro. Ninguém queria um amigo sem amigos.

Mas o menino era uma cachoeira de esperança, que, mesmo que ele tentasse, não iria parar.

E no primeiro dia de aula do segundo ano do fundamental, Arthur esperou ganhar um amigo que não fosse nem Jaime, o besouro, ou Magali, a abelha.

Sua mãe o perguntou, como um formulário clássico do primeiro dia de aula:
— Tá animado, filhão?

E ele respondeu, com toda a animação que uma criança poderia ter:

— É claro, mãe! Esses dias vão ser incríveis! — ele respondeu, escondendo a ansiedade de passar o ano sozinho.

Sua outra mãe olhou orgulhosa, mas resolveu puxar o saco:
— E pra ficar forte pro primeiro dia, tem que comer todo o feijão do prato!

Arthur, com toda sua imaginação, não tinha nojo de feijão, ele tinha dó. Uma vez, quando ele era pequeno, sua irmã resolveu zoar ele e disse que eram ovos de barata. Arthur adorava barata.

— Pelo menos para tomar o caldo!

E ele tomou, talvez assim ganhasse um amigo. E ele faria qualquer coisa pra ter algum.


— Simon, tá pronto pra escola, filho?

Não estava. Não tinha botado o tênis e não tinha esperança de que ele ia continuar naquela escola. Ele mudava de escola todo ano. Nunca se encaixava. Nunca fazia amigos. E, naquele momento, já não tinha esperança de fazer.

— Já vou, pai.

Simon deu um xeque-mate em si mesmo e guardou as peças do xadrez.

— Tá animado para a escola, filho?

Ele botou sua camisa de caveira do Sr. Morte e guardou seu caderno de desenhos na mochila.

— Sim. — Era um ‘não’ que Simon se recusava a elaborar.

— Que bom, filho.

Seu pai também não o pressionou, ele sabia que não era fácil para Simon mudar de escola para escola. Pelo menos Simon esperava que ele soubesse.

Ele fechou sua mochila temática do Carros (ele odiava esse filme, mas ganhou a mochila do primo, que cresceu e percebeu que também não era fã do mesmo).

‘Esses dias iam ser horríveis’, ele pensou.


— Arthur.

Sua irmã se aproximou de Arthur. Ela era sua melhor amiga até aquele momento. Mesmo que familiares não contassem como amigos. Era senso comum.

Ela afofou o cabelo dele e disse, com sua cara intimidadora:

— Se algum deles mexer com você… Eu passo meu recado.

Ele riu, o som melodioso e inocente.

— Nem vai precisar, Gabi! Vai dar tudo certo.

Ela só piscou, e Arthur andou, afundando cada passo em um sonho novo.


Simon respirou fundo antes de achar o impulso para segurar a maçaneta e iniciar mais um desastre.

Já haviam alguns alunos posicionados, e Simon prometeu a si mesmo não fazer contato visual com nenhum deles.

A professora encostou em seu ombro e perguntou delicadamente se ele sabia onde iria sentar. Ele negou.

— Você pode sentar com o Arthur, se quiser.

Ele olhou para o menino e viu seu rosto se iluminando rapidamente. Era contagiante, era um bocejo de sorriso. Quando viu, a alegria já era mútua.

— Ô, professora! Deixa ele sentar com a gente! Ele não vai querer se sentar com essa aberração aí!

A professora, que duvidava que os alunos houvessem descoberto essa palavra sozinhos, respirou a calma e disse:

— Por que a gente não deixa o Simon escolher?

Simon, com medo de sua escolha, e principalmente das consequências dela, foi na decisão mais fácil. Ou na que ele foi inclinado a escolher, por mais que doesse ver o sorriso iluminado se apagando rapidamente.


Simon estava sozinho de novo. Mudar de escola não havia adiantado nada. Escolher aquele grupo de supostos amigos não havia mudado nada.

Foi a conclusão que ele tomou, sentando em um banquinho, esperando segundo a segundo para o recreio acabar.

E entre um suspiro e outro, ele ouviu um elogio, alto até demais.

— Como você é lindo!

Se era para Simon ficar sem jeito ou muito surpreso, ele não soube diferenciar. Mas a curiosidade bateu, e, por mais que o menino não possuísse muita atitude, ele era uma criança, afinal.

Aos poucos, Simon começou a reconhecer os espaços da nova escola. Cheia de árvores, cheia de vida. Andando e chutando as pedrinhas, fingindo não seguir a voz, Simon avistou um grande tronco de madeira, cortado ao meio, bloqueando o caminho para uma área coberta por árvores, um balanço ao canto e um menino sorridente de cabelos cacheados.

— Hoje é seu aniversário?! — disse, com risada e exclamação na voz, olhando para uma companhia inexistente ou, pelo menos, muito pequena. — Que pena, eu poderia ter trazido um bolo!

Simon sorriu com seu sorriso. Só percebeu quando os músculos do rosto se mexeram, sem poder parar.

Bem, na verdade, parou quando ouviu um crack vindo do seu pé.

— Ops! — murmurou, enquanto o menino se virava, lentamente, e assustado.

Uma formiguinha andava em seu braço. Uma faixa de luz iluminava sua boca entreaberta, seus dentinhos separados aparecendo aos poucos.

— Desculpa. — Simon disse instantaneamente.

— É você… — Arthur sorriu.

— É. Eu. Desculpa. — Ele piscou e, com medo de ficar calado, continuou: — É que eu tava ali, sentado. E eu ouvi você falando. Fiquei curioso. Desculpa.

— Tudo bem. Quer uma? — Ele ofereceu uma Trakinas de morango, que colocou um sorriso tímido no rosto de Simon.

— Pode ser.

Entre pequenos sorrisos e bolachas sorridentes, Simon resolveu perguntar:

— Com quem você tava falando?

Arthur, corando fervorosamente, piscou algumas vezes antes de falar, cauteloso.

— Você não vai rir se eu falar, né?

E sem saber por que riria, Simon negou.

— É Bartolomeu, a formiga. — Ele sussurrou, como um segredo, uma confissão que esperava que Simon entendesse.

Simon ficou surpreso e curioso.

— Você sabe falar com insetos?

— É minha maior habilidade! Eu sei falar a língua secreta dos insetos.

Arthur ainda contou como um segredo, mas, dessa vez, era diferente. Não tinha tanta vergonha.

Simon, com a boca entreaberta. Arthur, com o sorriso entreaberto.

— Como?

Arthur se aproximou e passou a pequena formiga para a mão do colega, que sentiu cosquinhas ao sentir os passos de Bartolomeu.

— Cada pequeno movimento desses pequeninos é um jeito deles falarem com você. — As pequenas partes da formiga, que pareciam dentinhos, e que Simon apostou que Arthur já sabia o nome, se mexiam rapidamente. — Eles querem dizer ‘oi’ ou ‘tudo bem’, mas eles têm seu próprio jeito de falar.

— Eles são tão pequenos.

— São mesmo. Mas a gente também é. Tudo é tão grande, a gente parece até pequeno. Tão pequeno, mas tão importante.

E, de algum modo, Simon entendeu muito mais do que pode ouvir. E ele sorriu muito mais do que pode saber.

— Você quer ser meu amigo? — Arthur disse, nervoso.

Ele nem sequer pensou antes de dizer. Ele já sabia a resposta.


Os dois novos amigos agora voltaram para a sala, rindo de alguma piada sobre a diretora do colégio ser amedrontadora. E Arthur já se preparava para comentários maldosos vindos de seus colegas. Ele encolheu os ombros em empatia com a vergonha que Simon iria sentir.

— Olha quem tá andando com Arthurzinho! — Ele ouviu Luis dizer, junto de um eco de risadas. — Que não tenha pego a praga do Arthur! — Seguido por mais e mais risadas.

Mas, dessa vez, a reação que o menino esperava, vindo de seu novo amigo, não foi direcionada a ele. Simon andou até a mesa, pisando com força no chão.

— Eu peguei. — Ele agarrou sua mochila com força, quase arrancando a haste da pobre mochila de Carros.

— Então fica longe de mim, esquisito. — A maldade na língua da criança era quase palpável.

— Fico feliz. — Dentes cerrados.

O rosto de Simon se transformou de raiva a carinho, ao se virar para seu amigo.

— Eles são sempre bobocas desse jeito?

Simon botou a mochila ao lado da mesa de sua nova dupla.

— Sempre.

— Então, a partir de agora, é sempre a gente.

O sorriso de Arthur era tão largo que doía seu rosto.

— Promete? — Arthur ofereceu o mindinho.

E, sem nenhuma hesitação, ele obteve uma promessa de mindinho.

— Prometo.




ferfig
ferfig

Creator

oioi!! to bem feliz de começar essa série, que tô criando desde 2019. Espero que gostem tanto quando eu to gostando de fazer.

- Ferfig

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Arthur e Simon temem viver a vida sem nenhum amigo. Arthur é conhecido por sua esquisitice, seus insetos e suas pulseiras. Simon nem conhecido é. Quando, aos 8 anos, eles se encontram, percebem que a companhia um do outro é mais do que o suficiente e, ainda mais, do que ambos poderiam pedir.
– É sempre a gente.
– E os insetos.
– Realmente.

(tem uma playlist também!!! link no banner)
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