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Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

1 - Naquele Boteco da Esquina

1 - Naquele Boteco da Esquina

Mar 02, 2025

 Assim se foi aquela noite e, como ela, passaram-se poucas outras, até que em um certo dia, quando o sonolento sol se ergueu de boa face no Oeste, a esperada alvorada do nosso dia subiu. Ela iluminava as grandes planícies floridas e calmas, para além de espessas florestas e seus longos lagos azuis, onde guiadas pela manhã subiam-se chuvas de pétalas na direção de uma remota cidade há muito esquecida pelo tempo. Lá, cresciam raízes por debaixo das estradas, e casas inteiras eram cobertas por cipós e trepadeiras floridas e robustas como troncos. Tratava-se de uma densa e pequena cidade, de baixos prédios rústicos e casas talhadas e mal rebocadas, onde uma selvagem natureza, no auge de sua grandeza, ofuscava até mesmo o pior dos afazeres; praticados em cada esquina por seus questionáveis habitantes. Por todo lado, ao que o sol punha-se de pé meio a floresta de prédios e plantas, um curioso, mas inquietante clima em todo canto emanava. Havia muitas sombras nas ruas, por parte dos toldos, dos muros e suas densas trepadeiras; e poucas pessoas nas ruas, mas muitas vozes por toda parte. Era como um desértico cenário onde quase não havia ruído, mas silêncio algum era encontrado; tais elementos, na espreita daquela quente manhã, eram o que concediam característica ao estimado “segundo canto” mais perigoso de todo o reino de Antunes; a infame Lackworth do Sudeste.

 Naquele pleno dia, tal como sempre, nas estradas comuns não havia tráfego, e também nenhum mercador. Toda e qualquer presença parecia estar escondida, e os únicos que por lá andavam, no silêncio da matina, escondiam-se por baixo dos toldos e sombras, entre as árvores e por trás das raízes, suprimindo suas presenças entre as gélidas ruas paralelepipédicas da noite passada. No entanto, foi meio a essas tantas tímidas e viciosas silhuetas, que uma única e misteriosa figura andejava excentricamente pelo meio da passarela. Era um esguio e solitário rapaz, de feição muito jovial, andando nos paralelepípedos sem qualquer preocupação. Ele balançava na cintura uma engatada e preenchida bainha, tal como uma garrafa de vinho com pouco mais da metade lhe sobrando. A figura tinha a pele clara; seu fino, mas atlético corpo, não era muito alto nem muito baixo, e seus cabelos eram negros, ondulados e curtos. Tinha grandes, cianos olhos arregalados. Trajava um casaco também ciano, remendado e desbotoado, com uma camisa amarela por baixo, uma bandana vermelha amarrada ao pescoço e desgastadas calças amarronzadas, com estranhos e pontudos sapatos metálicos calçados na ponta dos pés. Em sua instigante aparência, vestia também um típico chapéu holmes bege. Seu andar era levemente torto para a esquerda, e ele cambaleava de maneira um pouco descontente.  

 Mas embora não parecesse, pela forma que andava, este rapaz parecia estar sóbrio, ainda que indisposto, e com esse mesmo ritmo seguiu em frente por uma pequena e estreita rua até chegar à uma pequena esquina. Lá ele misteriosamente parou. Ao se virar, notou que ali havia uma grande obra em andamento, feita numa alta casa, à venda e coberta de vinhas e alta grama no quintal, que havia sido comprada e passava por uma reparação. Os responsáveis pelo tal serviço eram uma meia dúzia de homens com uniformes, que com energia zanzavam por todo o terreno, aparando a grama e rompendo raízes na posse de grandes ferramentas que erguiam à altura das calhas, parecendo pescar do matagal que crescia no chão. Tais curiosas figuras eram familiares em Lackworth, e chamavam-se de “Os Jardineiros”; eles eram construtores experientes da cidade, especializados em podar e manusear as grandes vinhas e robustas raízes de sua selvagem natureza, adaptando-a a construção de novos imóveis ou as implementando na arquitetura já-feita como suportes naturais. Para isso, levavam consigo grandes serras, machados, martelos e enxadas coloridas, e vestiam-se em uniformes azuis listrados em branco, na companhia de seus fiéis capacetes verde lima, com os trevos de quatro folhas que eram estampados na frente.

 Embora fossem profissionais e prestativos, Jardineiros eram do tipo convencido, daqueles que esbanjavam muito orgulho de uma nem-tão-grande-habilidade, e acabavam pensando demais em si mesmos, ao que glorificavam seus serviços sorrindo sozinhos para cada vinha que cortavam. Uma turma esquisita, no mínimo, mas indubitavelmente eficiente em seu trabalho. Mas o fato é que, naquele dia, alguns pareciam um pouco fora de si, e mesmo ao longe atraiam uma negativa atenção; berrando, cuspindo e gaguejando com suas falas sem nexos; parecendo completamente bêbados. Era justamente com esses que, parada na virada da esquina, nossa misteriosa figura tinha algo a tratar. 

 Se aproximando pelas sombras das raízes e cercados, o jovem levantava sua mão esquerda, acenando para as figuras frente a calçada da obra, algumas sentadas em caixotes, uns cheios de tábuas soltas que espalhavam parafusos na calçada, com dúzias de moedas de ouro e garrafas vazias ao redor. Despreocupado, mas rígido, o rapaz então aproximou-se mais ainda, erguendo sua voz e dizendo:

“Ei, ei... Vejo que acordou cedo, senhor...!” — e disse um nome rústico, estranho e meio bárbaro, cujo som foi abafado por uma martelada na obra.

Meio à porção do pequeno grupo que se sentava pelos caixotes, um velho e gordo homem ouviu o chamado, e encarou o rapaz de longe, parecendo acatar ao nome. Ele tinha o rosto vermelho e inchado, com os olhos lacrimejando, de glóbulos carmesins e pupilas dilatadas. Esse sim, estava completamente bêbado! Havia exagerado um pouco mais que seus companheiros na última noite, sem dúvida; o que só chamou ainda mais a atenção do jovem rapaz. Com uma rouca voz e certa hesitação, o velho disse:

— Eu te conheço de algum lugar, meu jovem? Hicc.

— Eu acho que não. — respondeu o jovem, pondo a mão esquerda atrás de sua nuca. — Olha, tudo o que que eu preciso é de um minuto do seu tem...

— Pois vá me desculpar! — O velho homem logo o interrompia. – Mas saiba que sou um homem muito ocupado, Hicc! Tenho muito a fazer nesta manhã e não estou com tempo para os civis agora. — explicou ele ajeitando a gola do seu uniforme, que também cheirava a álcool. — Sabe bem que não há trabalho que nós, Jardineiros, possamos deixar de atender, mas por isso mesmo aqui está o meu, Hicc, cartão, veja! Se você puder bancar os preços, negociaremos, isto é... depois que eu pregar isso aqui e...

O homem, que tagarelava com um estranho e manchado cartão nas mãos, agarrou uma marreta e um pequeno parafuso que estava jogado pelos caixotes. Então ele apontou as ferramentas ao cercado logo atrás dele. “Depois que eu terminar de pregar aquilo ali!” — dizia — “Posso até pensar em abrir um tempinho para conversar. Se forem negócios, claro!”

Totalmente fora de si, ele tentou guardar a marreta no bolso, obviamente falhou e, não contente com isso, ainda conseguiu derrubar tudo no chão. Virando-se para o rapaz, ele disse de novo:

— A propósito! Seja lá por onde você escutou esse nome, não me chame assim. Profissionalmente, eu só atendo por Pirlo! Jardineiro veterano ao seu dispor. Não que eu queria me gabar, mas Hicc, fui eu quem desenhou a velha prefeitura do chá, sabia?

 Parecendo impaciente, o rapaz lançou-o um rasteiro sorriso de descaso — olhando para cima por um breve momento — quando respirou fundo e continuou o seu discurso:

— Deve ter sido um trabalhão, né? — ele disse. — O prazer é todo meu, senhor Pirlo Jardineiro. Parece que você gosta de títulos, mas eu não tenho nenhum. Apenas me chame de Martin.    

 Afetado pelas palavras do rapaz, o carpinteiro cambaleou nas tábuas, se engasgando sozinho. Espremendo seus grandes olhos em desconfiança, o rapaz o encarava cada vez de mais perto, e seus subordinados Jardineiros logo atrás esbugalharam os olhos, parecendo meio ansiosos com a situação.

— Ótimo. Ótimo... — dizia Pirlo, claramente desconfortável, engolindo a seco e lembrando-se de algo que agora o vinha sóbrio à cabeça. — Um bom nome! Mas tirando isso, b, bem como eu pensava, um jovem rapaz como você não deve ser capaz de apreciar um bom trabalho arquitetônico. Com sua licença, então, digo, nós ainda temos muito trabalho duro pela frente hoje. Tenha um bom dia, jovem M, Martin! — terminava o homem. Ele levantou-se do caixote, dando as costas para o rapaz, e gesticulava para que os seus companheiros dessem o fora. De repente, Martin o agarrou pelo ombro.  

— Ei! — reclamou o velho sujeito — Pode me escutar por um momento ou não?! Nós temos muito a fazer por aqui! — daí ele grunhiu feito um cão.

— Quem não está escutando aqui é você! Não percebe que tenho algo importante pra dizer, seu velho? — Martin dizia duramente, e fez com que o construtor se irritasse de vez.

— O QUE É QUE VOCÊ QUER SEU PIRRALHO? Não vê que estamos ocupados aqui com a obra?! Se não precisa dos nossos serviços, então dá o pé daqui!

— Interessante a sua resposta de há pouco. — então falou Martin, fazendo gelar a espinha do velho homem. — Realmente não me lembro de tê-lo conhecido. Ou melhor, nem me lembro de tê-lo visto antes, então por que eu deveria saber o seu nome?

— Hã?

— Naquele boteco da esquina. — retomou Martin. — Lá me disseram que nós dois éramos amigos. Grandes amigos. Tão amigos que até dividimos a mesma conta fiada. Então por que será que eu tive que perguntar pelo seu nome no balcão?

Visivelmente apavorado, Pirlo secou o suor com sua toalha de rosto.

— C, Como assim? — ele disse. — Eu não faço ideia do que está dizendo! Saiba que eu também não me lembro de Hicc, ter visto esse seu rosto uma vez sequer na vida!

— Escute. — logo interviu o rapaz, fechando seus olhos e agarrando os punhos do homem ao que era levantado pela gola, apertando-os. — Hoje eu acordei de bom humor. Estava de volta à cidade, com as mãos limpas, pronto para quitar cada último centavo de umas dívidas de um bom tempo. Não concorda que não há coisa melhor que a liberdade, velho Pirlo? Mesmo que seja uma liberdade pequena, como a de não dever a ninguém?

— Isso eu não posso negar, pirralho! Eu não tenho uma boa noite de sono se estiver devendo. Não devo um tostão sequer! — Pirlo sorriu com uma naturalidade duvidosa.

— Ah, é? Que bom para você. — Martin dizia, e afrouxou o aperto — Esse é um luxo que eu não tenho. Afinal, só ficam devendo aqueles que nem sempre podem pagar, né? 

 Dito isso, Martin aproximou-se, ameaçadoramente, da orelha de Pirlo — e disse:

— Mas sabe o que não é certo? — começou. — Não é certo criar mais débitos enquanto você trabalha para quitar os outros. Eu sempre tomo muito cuidado com isso. Tem um tempo, por exemplo, desde que eu tomei uma boa bebida. Estive juntando dinheiro por um tempinho, e finalmente estava pronto para quitar as dívidas no meu boteco preferido, mas sabe o que aconteceu? Magicamente, a conta aumentou. Parece que eu andei comprando todo tipo de bebidas, nos últimos meses. Será algum tipo de sonambulismo? O que acha?

— E O QUE É QUE EU TENHO A VER COM ISSO, HICC?! Seu pivete louco! Não me interessa como você enche a cara! — o construtor berrava com raiva, apontando o dedo do meio quando percebia, de repente, amontoarem-se uma porção de civis transeuntes a caminho da igreja. Juntos a mais outra gente que passava ali, eles formaram uma pequena multidão ao redor do furdunço na calçada — onde a tensão crescia cada vez mais.

— Bem, quem sabe! — Martin disse alto. — Acontece que alguém andou festejando muito naquele salão, colocando tudo no meu nome, e esse alguém era um grande amigo meu, pelo visto. Não tem problema pagar pela bebida de um amigo meu, claro, mas prefiro saber quem estou bancando! Por isso, pedi ao dono que me dissesse quem era o tal sujeito. Não sei se sabe, mas o velho lá é um ótimo desenhista.  Me deu um pequeno retrato de um homem velho, gordo e não muito familiar. Antiquado demais, até para ser um amigo meu.

 Meio à rua, um profundo silêncio se formava na passarela onde, com olhos esbugalhados, todos cochichavam pelas sombras, incitando o pesado clima que crescia entre as duas figuras. Era uma grande e bela roda de curiosos que esperavam, ansiosamente, pelos esculachos do rapaz que aumentava cada vez mais o próprio tom.   

— Sabe o que é? Eu não sei o que tem na cabeça um homem que enche a cara de uniforme, mas acontece que, com esse tamanho, aparência e porqueira, era mesmo muito difícil que alguém te confundisse, não era? Acontece que o sujeito do retrato estava igualzinho a um pedreiro bêbado e descarado que achei na rua agora há pouco, e esse idiota não é ninguém mais que não você, seu caloteiro safado! — ao exclamar isto, Martin não deu nem mesmo um momento de dúvida para a audiência e, com uma rapidez inesperada, ergueu à vista uma grande folha de papel com uma caricatura idêntica ao velho Pirlo. No rústico desenho, até mesmo o uniforme era igual, e ele estava vermelho feito um tomate.

O rapaz franziu a sobrancelha. — E só para você saber, eu vou cobrar os juros!

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#aventura #Misterio #shonen #Fantasia #comedia #BR #novel

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