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Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

6 - Vamos entrando

6 - Vamos entrando

Apr 06, 2025

Depois de incontáveis horas inconsciente — carinhosamente batizadas de “sono” por um certo comandante — nossa figura, Martin, que agora também tinha um sobrenome, finalmente despertava. Ele acordou numa sala muito escura e vazia, onde sequer eram visíveis as paredes e muito menos as suas próprias mãos, que, para sua sorte, desta vez não estavam acorrentadas. Martin não sabia ao certo se era dia ou noite, mas, olhando em volta ao cômodo, notou uma única e pequena fonte de luz atravessando a escuridão.

Era uma pequena luminosidade, no formato de três altos riscos, que formava a silhueta de uma jaula — o que já era uma pista. Ficar no escuro não era o seu forte. Na verdade, era uma das coisas que mais detestava, mesmo que ele não chamasse de medo, claro, embora fosse tão óbvio que qualquer um na mesma cela facilmente notaria. E sim, aquela era uma cela, ou ao menos se pareceria com uma, se não estivesse tão escuro; foi o que ele pensou, até que, cansado de olhar pra vazia escuridão, Martin tomou coragem para levantar a caminho da pequena luz, em passos divagares e muito largos também. O garoto já se sentia descansado, livre de fadigas, e não se lembrava muito bem do que tinha acontecido. Na verdade, tinha pouca, quase nenhuma ideia de como veio parar ali no fim das contas (pois não era a primeira vez que acordava numa cela).

Frente à luz, Martin parecia voltar a enxergar lentamente, desborrando a fria e escura visão ao que encarava o exterior da gélida e escura porta de metal em que estava apoiado. Mas claro, ao agarrar-se em duas das pequenas barras, era mais do que certo, visto o exterior do calabouço, que aquela era uma cela. Uma pequena, suja e escura cela na qual, mesmo se tivesse um banheiro, ninguém o enxergaria. De volta aos sentidos, Martin ficou ali parado por um bom tempo; talvez pelo ar fresco que vinha das escadarias no fim do corredor logo à frente, ou talvez pelo clima morno e agradável provido das grandes tochas atracadas nas paredes do lado de fora, mas principalmente porque detestava o escuro. Ele preferiria congelar seus dedos, entrelaçados nas frias barras, a sentar-se naquele chão também gelado e também escuro.

Escutando e captando através da porta, com os ouvidos bem atentos; ecoavam por cima das juntas do teto: vozes, mensagens e ritmos familiares. Passos e conversas, o som de lâminas e cajados, Martin também escutava. Para ele, matutando sobre um distante passado, tudo parecia muito próximo, embora também, agitado com o presente, tudo aquilo parecesse mais do que distante. Suas mãos, de fato, não estavam acorrentadas, mas ainda assim, ele estava algemado e seus pertences, como espada, bainha, chapéu e casaco, agora também podiam estar em qualquer lugar, o que de alguma forma o deixava ainda mais solitário. Mesmo sem qualquer fadiga, o rapaz sentia-se indisposto, e algo sobre sua situação não lhe cheirava nada bem. Tomado por uma sensação de derrota, passou a perguntar-se, de tantas coisas, o que mais o aguardaria mais tarde, fosse por qualquer crime que houvesse cometido. Seria uma solitária, ou serviços comunitários? Pagar uma fiança ou ir à guilhotina? Nada disso o fez muito bem, e de nada melhorou o seu humor, e por isso deixou bater sua cabeça na grade, para desviar-se daquela atenção, e ali, apoiado, cochilou, mesmo que ainda de pé. Mas foi enquanto cochilava, que pouco após, antes mesmo que pegasse verdadeiramente no sono, um curioso barulho incomodou-o naquele profundo silêncio.

Era um bater de chaves. O som de metais se chocando, acompanhado de leves passos de sapatilhas, que se aproximavam da escadaria até embaixo no corredor, e lentamente caminhava na direção da sua pacata cela. Quieto, não mostrou qualquer reação, tampouco disse algo, mas assim esperou até que os passos chegassem até ele, quando finalmente pararam. Com um sapatear mais forte e frente à porta, ele então abriu seus olhos. Frente a ele, surgira então uma pequenina e gentil figura. Era uma garotinha de cabelos curtos, castanhos e claros, vestindo um alaranjado vestido coberto de lantejoilas, e carregava no ombro uma pequena raposa branca de cauda gigantesca, que se enrolava em volta do seu pescoço feito um felpudo cachecol. Algo muito familiar a tornava inconfundível para Martin, mas mesmo assim, não disse nada, e apenas a observou por um tempo, até que nervosa, a própria e pobre garotinha resolvera dizer algo:

— É... Ei, você. Ainda se lembra de mim? — ela dizia meio incerta, fraca na voz e também um pouco assustada. Afinal de contas, encarava, sozinha, os grandes olhos cianos de um sujeito encarcerado que, sem piscar, não demostrava qualquer reação.

— Não. — disse o rapaz, severamente. E deixou a garotinha pálida de medo.

Depois de passar um tempo sem resposta, ele resolveu voltar atrás.

— Hã. Era brincadeira. — enfim respondeu. —  Como eu poderia esquecer? Mas você cresceu muito, é verdade. E vejo que mamãe está finalmente permitindo mascotes.

 Nesse momento, uma súbita brisa soprou pela escadaria, na direção das tochas, e por um instante, sua luz soprou numa tremula chama que revelara o rosto de Martin para a figura — que o reconheceu de cara, abrindo um grande sorriso no rosto. Ao fuçar desajeitadamente em um balançante molho de chaves, ela tirava de lá uma grande chave de bronze, à qual usou para abrir o grande portão. Naquele minuto, depois de cinco longos anos, ela reunira-se novamente com uma distante figura da qual sentia muita falta; seu irmão mais velho, Martin Mellowick, a quem abraçava forte, mesmo enquanto ele tentava impacientemente deixar a cela com o tornozelo ainda um pouco manco. Aquela era Diana, uma das cinco gêmeas que viviam no Castelo de Antunes, membras de uma importante linhagem da qual também pertencia o jovem rapaz — a infame linhagem dos Mellowicks, a qual via-se enfrentando, pela primeira vez, a falta de um sucessor.

 Mesmo razoavelmente feliz, e sorridente como estava, Martin, infelizmente, sabia muito bem que não tinha sido trazido para reuniões familiares, mas sim por coisas que cometera, e essas agora, junto as memórias das suas irmãs, voltavam-lhe frescas à cabeça. O incidente das moedas, o confronto com a guarda, o duelo com Cainfield. Naquele momento lembrou-se de tudo isso. Sabia também o que lhe esperava, agora que havia chego na Capital, e vinham-no a cabeça somente as piores coisas que teria de enfrentar frente ao salão da justiça; Argienol. Um monumento da lei onde são executadas apenas as mais irritantes de todas as audiências. Mas isso é algo que vamos tratar mais tarde. De qualquer forma, de todo o tempo que tinha para pensar nessas coisas, Martin decidiu que aquela não era a hora, e também não lhe soava nada mal passar um tempo com sua família, distraindo-se um tanto, mesmo que pouco antes de acabar atrás das grades (de novo). Guiado por Diana, ele subira as escadas e logo viu-se nos interiores do castelo, num grande corredor que prescindia o calabouço, quando os dois conversaram: 

— Ei, mano! Eu conheço um atalho pro quarto da mamãe, ela disse que queria falar contigo antes do julgamento. Vem comigo!

— Eu só espero que ela ainda tenha autoridade pra exigir uma coisa dessas. — replicou Martin.

Evitando as típicas rondas nos corredores, nossas duas figuras assim, furtivamente seguiam por todo canto que encontravam pelo caminho. Esgueiravam-se pelas paredes dos grandes salões, passando por trás dos estandartes de armaduras e grandes cortinas, saltando para dentro de janelas, escotilhas, portas e vidraças numa pequena, mas verdadeira exploração pelo castelo, onde faziam o milagre de não serem notados. Com um sorriso no rosto, Martin visitava muitos daqueles lugares nostálgicos de suas velhas memórias, aquelas que sua mente já havia perdido há muito tempo, e meio ao caminho notava os mesmos velhos traços, marcas e objetos, todos em seus devidos lugares, mesmo anos após sua última visita.

Depois de muito passearem, naquela enorme volta que fizeram para chegar à um único corredor, porque os caminhos convencionais tinham o tráfego de uma avenida, eles seguiram em linha reta até uma grande escadaria, onde Diana foi primeiro, furtivamente, então voltando para confirmar que não havia mais ninguém. Esta foi a primeira e última vez naquele dia em que eles subiam tranquilos por um longo percurso, conversando e divertindo-se sem o medo de serem apanhados. Finalmente, nossas figuras aproximaram-se de uma pequena sala, dando para uma pequena torre que era acoplada por fora do castelo; os aposentos de Darla Mellowick — a primeira dama e Matriarca de sua família. Ela era uma bela mulher, mãe de sete saudáveis crianças, das quais, claro, estava incluso seu filho mais velho — Martin, que agora ia ao seu encontro. Chegando ao fim do corredor, o silêncio ia pouco a pouco se acabando, e no calmo som do ambiente, marcado pelos seus passos, se ouviu um baixo e abafado ruído de gritos e risos, que ecoavam por trás da gigantesca porta de madeira, onde sua mãe o aguardava.

— O que eu devo esperar? — perguntava Martin, encarando perplexo a grande porta, pois, na verdade, lembrava dela ser bem maior do que realmente era. Mesmo assim, a coisa media quase cinco metros e sua sensação intimadora não mudou nada em todo esse tempo.

— Mmm? — estranhou a pequena Diana.   

— O que acha que vão dizer? — então disse o rapaz, um pouco mais claro e atencioso. No fundo no fundo, ele só estava tentando ganhar tempo, mesmo que isso não lhe adiantasse de nada. — É que, hã, já faz muito tempo. Cinco anos. Cinco, né? 

— Vão ficar muito felizes! — ela o respondia com um doce sorriso.

— É... Quer saber? Você deve ter razão, Diana. O que tem de mal em um velho filho retornar à sua casa, mesmo depois de tanto tempo?

— Ah. — disse Diana. — Na verdade, talvez a Julia te mate! — então reafirmou a menina, de repente, o que fez o rapaz engasgar-se com saliva por um breve segundo.

— O que?! Por que?! — exclamou Martin.  

— Ué, você não se lembra? Antes de você ir embora, tinha prometido ensinar ela a andar com aquelas carroças de aço. De duas rodas, sabe? — explicava a pequena Diana — Mas pouco depois que você foi, ela tentou ir sem as rodinhas e bateu com uma cabeça numa árvore. Julia não suporta mais que andem com aqueles trecos, fica com muita raiva. Mamãe disse que ela tem tendências estranhas, mas, hã... eu não sei o que isso quer dizer!

— Aí, caceta, a bicicleta... — Martin resmungou um pouco tenso.

— O que foi? Deu medo?

Antes de responder, o rapaz pensou bem. Por isso não respondeu nada.

Suas mãos se moveram sozinhas, e ele apenas agarrou as maçanetas duplas da porta.

— Vamos entrando. 

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