Please note that Tapas no longer supports Internet Explorer.
We recommend upgrading to the latest Microsoft Edge, Google Chrome, or Firefox.
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
Publish
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
__anonymous__
__anonymous__
0
  • Publish
  • Ink shop
  • Redeem code
  • Settings
  • Log out

Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

7 - Vamos saindo

7 - Vamos saindo

Apr 06, 2025

Já com as mãos na massa, Martin não deixou intimidar-se pelas grandes maçanetas e, com força, empurrou a porta junto de Diana, que segurava numa maçaneta minúscula, posta na base mais baixa especialmente para ela e suas irmãs. Desta forma, ambos abriam juntos a grande porta dupla de carvalho escuro, dando de frente para um grande salão cor de rosa. Era um cômodo magnífico, de formato cilíndrico feito o de uma torre (porque era uma), e nele ficavam espalhadas bagunçadas camas, brinquedos, vestidos e estranhos tesouros brilhantes, jogadas pelo chão entapetado num esbranquiçado e brilhante rosa, com um grande mosaico estampado, onde repousavam-se cores vermelhas e douradas. Nas paredes havia janelas imensas, com vidraças coloridas e cobertas por cortinas gigantes presas ao teto, e entre os papéis de parede havia também inúmeras prateleiras, quadros e decorações de todos os tipos e que as cobriam por todo o quarto. Nas extremidades horizontais ficavam também grandes e seguras escadarias caracol que as levavam até um segundo piso do quarto, quase que em seu topo, que era feito de uma robusta plataforma em formato de rodela que o circulava presa as paredes como uma grande sacada interna.

Na sacada havia muitas prateleiras e também muitos outros brinquedos e bonecas, assim como três telescópios que apontavam para o teto definitivo do cômodo, que se tratava de uma cúpula de vidraça com a face para as estrelas. Fosse para onde se olhasse, aquilo tudo se parecia mesmo com uma verdadeira suíte de luxo, populada de muitas crianças! No centro, logo abaixo das plataformas e encostada na parede, no canto norte do quarto, via-se a base de uma imensa cama, onde uma mulher adulta, de cabelos negros, lia um grande livro para quatro pequenas garotas, todas vestidas em cores distintas e que imediatamente notaram a presença da figura familiar, dado o som ensurdecedor que o ranger da porta fizera. De frente com o cenário, Martin, meio desconfortável (pois não se lembrava daquele quarto assim), contemplou-as em silêncio por alguns segundos, até que dando um profundo suspiro, decidiu dar um passo para, talvez, tomar alguma atitude.

Martin não tinha ideia de como começar isso.

— Hã... Oi. — ele disse. — Escuta. Por que não põem um óleo nessa porta?

Ao redor da cama, três das garotas abriram um enorme sorriso, enquanto a última ficou irritada, franziu o cenho e desapareceu no colchoado. A mulher parecia chocada.

— Que? Martin, querido, é mesmo você?

Martin pensou um pouquinho. — É. Sim. Sou.

— MARTIN! — gritaram todas as meninas em sequência.

Juntas, elas correram na direção do rapaz, abraçando-o todas ao mesmo tempo, sem soltá-lo, ao passo que o ainda-algemado Martin tentava aproximar-se para dentro do quarto, carregando-as com muita paciência enquanto se agarravam às suas pernas. Diana, por outro lado, que ainda estava na porta, notava a presença de alguém aproximando-se do corredor. Ela fechou a porta e foi com pressa para distrai-los, deixando o cômodo ao bater do carvalho.

 Recompondo-se, Martin então se aproximou, junto de suas irmãs, até o centro da imensa cama, onde engatinhou para perto de Darla — vulga sua mãe. Ele se sentou na frente dela, com as mãos algemadas nos joelhos, e fez a sua melhor cara de “eu vou ser preso hoje”.

— E então. Como vão as coisas? — logo disse ele, numa tentativa um tanto patética de normalizar o seu sumiço. Martin não via a própria mãe em muito, muito tempo.  

— Eu é quem pergunto! — respondia a mulher num rígido tom. — Posso saber como é que você tem vivido, meu filho?

— Eu tenho me virado. — argumentou ele. — De que outro jeito eu viveria? Tudo o que faço é andar, trabalhar e dormir por aí. Nada fora do comum, eu acho. — mas ao dizer isso, Martin olhava para qualquer lugar que não fosse os olhos severos da sua mãe.

Darla fez um olhar debochado. — Ah! Claro. — ela dizia — Então é essa vida comum que te colocou atrás das grades, não é? — ao ouvir isso, Martin visivelmente engoliu a seco.

— Você não deixa escapar nada, mesmo, né?

— Eu sou sua mãe, menino!

O tom de repreensão resgatou algumas memórias nostálgicas no rapaz.

— Ah, mamãe. — dizia Martin — Que bom que você está saudável. Eu senti sua falta.

Neste instante, Darla apanhou Martin pela orelha, dando um apertão bem apertado.

— AI, AI!

— MARTIN MELLOWICK! — disse ela.

— O QUE FOI? AI!

— Como o que foi?! Como é que você consegue fazer uma coisa dessas com a gente? Ou melhor! Consigo mesmo! Você some, desaparece, tão jovem, e passa cinco anos vivendo sozinho como um órfão vagabundo! E agora você me volta aqui, preso e sentenciado?!

— AI, AI! AI!

Martin genuinamente gemia de dor.

— BOM! — ele exclamou.

— BOM O QUE?

— Acontece que eu não sou bem vindo no castelo! Por isso fui embora! Mas eu te enviei cartas! Enviei pelo menos algumas cartas por ano, vocês não receberam nada, não?!

— Cartas?! Que cartas, menino! A gente não recebeu coisa nenhuma! Se não fosse pelos boatos constantes, e pelos relatórios do castelo, pensaríamos que estava morto! Tudo o que a gente sabia é que um jovem com uma rapieira brilhante estava sempre aprontando!

— Já não tá bom o suficiente?!

Ela firmou o aperto mais ainda.

— TUDO BEM, TUDO BEM! ME DESCULPA! AI! — o rapaz exclamava — Olha, mãe! Eu sinto muito, mas também não sei o que estou fazendo aqui, tá legal? Se alguém pediu a minha prisão, Helffrey concordou com isso. Mas por que ele iria me querer aqui de novo? 

— Eu não sei! Mas se ele te colocou em uma corte, você só pode ter aprontado uma coisa muito séria! — argumentou Darla. — Como é que pode? Você ser tão igual ao seu avô!

Subitamente, houve uma pausa. A expressão de Martin se tornou mais séria.

— O vovô não fez nada de errado.  

Ao encarar o rapaz nos olhos, Darla deu um recuo breve.

— Está bem. — ela disse. — Não vamos colocar o meu pai nisso.

Houve, neste momento, um intervalo onde Martin distraiu-se com as brincadeiras das suas irmãs menores. O clima havia pesado um tanto, e Darla pensava em como retomar a conversa. Martin tinha uma razão para ter feito o que fez, e Darla sabia que ela não teria feito diferente. Mesmo assim, a sua angustia era real. Darla gostaria de ter o filho de volta.

— Martin... Escuta... — ela começou.

Mas Martin não a deixou terminar sua frase.

— Me desculpa, mãe. — ele disse. — O que eu fiz não foi justo com vocês. Sinto muito.

Darla se espantou com aquilo. 

— Não, filho... — ela murmurava — Eu é que peço desculpas. Depois de tanto tempo você finalmente está de volta e aqui estou eu, te dando um esporro, quando deveria estar te confortando. Como uma mãe faz, sabe? Isso não é jeito de tratar o meu garoto...  

Darla apanhou o rosto do filho com as palmas, fazendo cafuné em sua orelha inchada.

— Suas orelhas doem? Eu apertei demais? Não sabe como eu me preocupo com você...

— Não é para tanto, mãe... Não sou uma criança que se machuca com qualquer coisa.

Mesmo assim, Martin não fez nada para afastá-la. Porque doíam pra chuchu.

Neste momento que era doce demais para não ser, irritantemente, interrompido, uma estranha e baixa silhueta surgia atrás de Martin, emergindo das sombras de debaixo da cama. A pequenina agarra Martin pelo pescoço, assustando-o com sua respiração rouca, e traça uma faca (para manteiga) em sua garganta.

— Você. — disse a pequena criatura. — Você já está morto.

Em uma tentativa falha de degolar o seu irmão mais velho, a garota puxou a faca cega, de gume redondo, em um corte horizontal no pescoço de Martin — que coçou a garganta.

Martin não estava com medo, mas também não se sentia muito corajoso.

— Ah! Julia... Quanto tempo. — ele disse.

Darla deu um suspiro paciente. — Comporte-se, Julia! Já conversamos sobre isso. Solte essa faca e deixe o seu irmão em paz, sim? — seu tom de voz a convenceu de imediato.

— Mentiroso pilantra... — Julia resmungava. A pequena menina tinha muito em comum com suas irmãs, revelando uma feição parecida, mas se diferenciava por ser a única com cabelos negros — feito os de sua mãe e de Martin. Seguindo a regra da família, Julia tinha também um par penetrante de olhos ciano-claro.

— Pilantra? — espantou-se o rapaz.

— PILANTRA! — disse Julia, em sua voz aterrorizantemente adorável. — Você me deixou na mão! Deixou a mamãe na mão! Me deixou na mão! Por sua causa, eu bati a bici!

— Eu não sou o único que sei andar naquilo! Por que não pediu para outro!?

— Você prometeu! — retorquiu a irmã. — Mas tudo bem. Eu não vou ser criança pra sempre, ouviu? Você ainda vai me pagar, ouviu? E nem pense em fugir, ouviu? Pilantra...

Agorinha, Julia rastejava de volta para debaixo da cama, levando consigo um monte de insultos mal resmungados. Suas irmãs não esboçaram nenhuma reação especial.

— Ela é sempre assim?

— Só quando o irmão mais velho está por perto. — comentou Darla. — Então não.

— Eu já pedi desculpas.

— Deveria pedir desculpas para ela.

— Não acho que ela vá se contentar com isso.

— Por que não tenta?

Tomando a sugestão, Martin deu um suspiro cansado.

— Hã, Julia-

Mas Julia cortou. — Não quero suas desculpas!!! — exclamou ela.

As outras meninas acharam graça da situação.

— Tentado? — Martin perguntava.  

— Tentado.

— Por falar nisso, o que você estava lendo pra...

Mas Darla fechou o grande livro, com força e subitamente. Seu olhar era diamantino.

— Elas. — continuou Martin.

— Meu querido, nós não temos tempo. — Darla dizia em um tom clemente — Eu não sei o que vai acontecer na corte, e preferiria falar contigo depois do julgamento, mas não podemos desperdiçar o milagre de Diana ter trazido você até aqui. Diga. Se você for inocente, meu filho, por que não volta para casa? — ela segurou a mão esquerda de Martin.

Ele abriu uma expressão de quem não gostaria de responder.

— Mãe, — dizia Martin — você sabe a resposta.

— Sei da resposta errada. — replicou Darla.

— Mãe!

— Eu sei. Sei! Você não se sentiria bem aqui, mas com o tempo isso pode mudar!

— Você sabe que não pode.

— Eu nunca vi você tentar.

Com um olhar pristino, Martin encarou a mãe, melancolicamente.

— Não pode. — repetiu ele. — Eu sinto. Sinto muito, muito mesmo. Mas não pode.

O coração da mãe derramava uma lágrima, mas ela entendeu o recado.

— Eu... Eu compreendo. — com relutância, a mulher respondeu; ameaçando choro.

Martin ficou incomodado.

— Mãe... — ele disse.

— O que foi?

— Você não vai chorar, vai?

Darla puxou o ar com determinação. — Não. — ela dizia — Eu já esperava por isso. Você é como o seu avô, e entendo que não é por mal. Nunca foi por mal. Vocês não abaixam a cabeça para ninguém, e não pertencem a nenhum lugar contra a própria vontade. Antes de conhecer o seu pai, eu também era assim, mas cada um tem a sua história. É só que...

— O que?

— Eu só temo que as minhas meninas vão me deixar um dia, também. Seria muito solitário. Vocês são as minhas crianças. Minha única família. Mas sabem que não posso ir atrás de vocês. Não sei o que faria, neste quarto, completamente sozinha...

Ao ouvir isto, uma das meninas ergueu a mão em cima da cama.

— Como assim, mamãe? Eu não vou embora! — dizia Isabella, uma das pequeninas — Quero me tornar a cozinheira chefe do castelo, não lembra?

— E eu uma conselheira, como a senhorita Mocha! — Lola disse em seguida.

— Sim, a gente gosta do castelo! Como vou regar minhas flores no jardim? — muito em breve disse Rosa, se apoiando na cabeça de Isabella.

— E eu não aprendi a montar cavalos! — exclamou Raissa.

Outras das irmãs manifestaram os seus pequenos sonhos, e elas discutiam sobre isso.

Martin abriu um sorriso genuíno.

— Viu só? — ele disse. — Acha que elas vão mudar de ideia fácil?

Darla secava os olhos com um lenço. — Não, não acho... — ela dizia sorrindo — O medo me faz esquecer, às vezes, mas o castelo é mesmo o nosso lar, não é, queridas?  

As pequenas concordaram com um “Sim!” em coral.

— Não vai te faltar companhia, mãe.

— Tem razão. Mas ainda vai faltar o meu filho.

Com rostos chorosos, os dois deram um abraço apertado.

— Eu prometo que volto. — ele disse.

— Para ficar? — replicou Darla.

— Por alguns dias.

— Já é alguma coisa, filho.

Neste instante, a porta de carvalho se abriu, e ambos olharam para trás.

Como o estopim da reunião, surgiam alguns cavaleiros à espera, acompanhados de uma figura familiar e que encarava Martin com desconfiança. Aquela era Mocha, é claro, uma confiável senhorita com negócios a tratar. Ela trazia a pequena Diana pelas mãos.

— Quem deu esse molho de chaves á garotinha? — ela perguntou incomodada.

Os guardas, que eram gentis por natureza, preferiram não responder nada.

— Eu sei que a pequena Diana é um doce, mas isso foi um erro. Ele podia ter fugido!

Martin saltou para o pé da cama.

— Eu não vou fugir de nada. — disse ele. — Não se preocupe.

Mocha esnobou a resposta. — Não mesmo. — disse ela. — Enquanto eu estiver aqui.

Enquanto Martin andava em direção à porta, algumas das suas irmãs começaram a fungar os narizes e a choramingar baixinho. Darla tinha um olhar resoluto, confiante de que o filho faria as melhores escolhas por conta própria. Ao olhar, uma última vez, para trás, Martin resolveu dizer duas coisas que ainda não tinha tido a chance de dizer.

— Digam ao Luther que mandei um oi. — foi a primeira. E então ele fez uma pausa.

— Eu amo vocês. — de repente chegava a segunda. — Se cuidem. Até logo.  

No silêncio do quarto, os passos metálicos do rapaz ecoaram amplamente.

Ele parou bem na frente de Mocha, dando-lhe um olhar desafiador.

— E então?

Mocha respirou fundo, o agarrou pelas algemas, e então disse:

— Vamos saindo.

dudoteacher30
momentodudo

Creator

#Sliceoflife #aventura #Misterio #shonen #Fantasia #comedia #BR #novel

Comments (0)

See all
Add a comment

Recommendation for you

  • What Makes a Monster

    Recommendation

    What Makes a Monster

    BL 76.5k likes

  • Arna (GL)

    Recommendation

    Arna (GL)

    Fantasy 5.6k likes

  • The Sum of our Parts

    Recommendation

    The Sum of our Parts

    BL 8.8k likes

  • The Last Story

    Recommendation

    The Last Story

    GL 58 likes

  • Invisible Boy

    Recommendation

    Invisible Boy

    LGBTQ+ 11.6k likes

  • Huntsman and The Wolf

    Recommendation

    Huntsman and The Wolf

    BL 41 likes

  • feeling lucky

    Feeling lucky

    Random series you may like

Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!
Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

910 views5 subscribers

Neste mundo de fantasia, uma ilha vai explodir.

Não acredita? Mas é verdade! Uma ilha inteirinha! E, numa ocasião rara como essa, é claro que o mundo não está reagindo bem.

Mares surtando, salamandras cospe-fogo, destruição generalizada, inflação, ar quente! Todo tipo de coisa bizarra está acontecendo por aí, e isso acabou atraindo a atenção dos grandes governos para um desastre que se aproxima — motivando a criação de uma pretensiosa viagem: A Grande Expedição para a Ilha de Goa! Possivelmente, a missão de desarme explosivo mais suicida que já foi inventada.

Os convidados são muitos, mas, entre eles, há um rapaz cujo sobrenome não vem ao título da obra por acaso. Seu nome é Martin! Um jovem que deseja escapar de sua vida monótona e conhecer os perigos reais do mundo no qual foi concebido.

Esta história é a sua aventura!
Subscribe

23 episodes

7 - Vamos saindo

7 - Vamos saindo

43 views 3 likes 0 comments


Style
More
Like
List
Comment

Prev
Next

Full
Exit
3
0
Prev
Next