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Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

8 - O testemunho de Pirlo

8 - O testemunho de Pirlo

Apr 06, 2025

Junto à guarda real e ao lado de Mocha, Martin então pusera-se a caminhar algemado pelos corredores, até chegarem na saída do castelo, localizada no salão principal. De lá, eles sairiam para a praça do palácio, onde ficava a entrada para a esperada corte; uma grande corte; para Argienol. Este era o maior tribunal do reino, e onde o destino de Martin pacientemente o esperava. Ainda enquanto caminhavam pelos velhos corredores de mármore, iluminados pelos fortes reflexos do sol no que parecia ser o fim da tarde, Mocha aproximou-se de Martin, todo desatento, e jogou sobre o seu ombro o velho casaco ciano, que não tínhamos visto desde que ele o usou para enganar Cainfield.

— Hã?! — exclamou ele, espantado com a surpresa. — Pensei que isso tinha ficado naqueles escombros. Você pegou ele para mim, é?

— Não confunda as coisas. — replicou Mocha. — É claro que não fui eu. Cainfield apanhou isto e pediu que eu entregasse para você.  

— Cainfield? Que gentileza.

— Humph, achei gentil até demais! Francamente, quem é que...

— Diga a ele que ele pode ir pro inferno. — interrompeu Martin.  

— Que? — estranhava ela. — Ei! Ele te faz um favor e é assim que você o retribui?! É a primeira vez que vejo aquele imbecil fazendo um favor para alguém! Ao menos aja como se estivesse agradecido!

— Eu não preciso da ajuda dele. Cainfield é do tipo que sempre cobra favores esfregando na sua cara! Aquele maldito. Aposto que fez isso de propósito, pra me provocar.

— Poxa vida. Vocês dois são mesmo complicados.  

Eles andaram em silêncio por um tempo.

— Mas eu bem que queria o casaco de volta. — o rapaz recuava — Se a gente se ver de novo, talvez eu diga alguma coisa.

— Vê se toma jeito. — Mocha comentou.  

Seguindo firmes na caminhada, com rápido passo as figuras finalmente chegavam até a praça do castelo. Um enorme pavimento de mármore repleto de traços abstratos no piso, que juntos formavam no centro o brasão da antiga família real. Em seu centro, ficava uma gigantesca fonte. Tinha a altura de um pequeno prédio e portarias em suas laterais, rodeadas da cristalina água corrente e dos civis amontoados que esperavam ansiosamente para assistir a corte. Era um grande evento, afinal! Já que, apesar dos pesares, faziam-se muitos e muitos anos desde que qualquer nobre fora sentenciado em solo Antoniano. Passando pela porta, davam uma última olhada no sol vermelho, pousando no céu limpo quando, descendo por uma longa escadaria subterrânea, chegaram até um grande e úmido salão rochoso debaixo da terra. Lá a luz fazia-se de pequenas pedras brilhantes, cintilando num forte azul cristalino que dava brilho ao profundo piso. Tinha uma colossal altura, tal como de uma grande capela, e próximo ao topo era rodeado de gigantes bandeiras com os brasões dos Estados e enormes tochas que queimavam estáticas naquele fechado ambiente sem correntes. Pelo solo, as bancadas eram todas feitas de um mármore cinzento, e brilhavam azuis em suas extremidades, onde ficavam dispostas vários fragmentos daquelas mesmas rochas que iluminavam o salão, espalhadas como uma porção de lantejoilas. No centro do salão, onde as bancadas dos jurados ficavam, o teto era também coberto por uma estranha e espessa pedra espelhada que refletia a corte por cima, e o chão era polido e quadriculado, sem uma sujeira sequer. Levou um certo tempo até que todos ajeitassem-se para o início do julgamento, com o incessante descer das pessoas que se acomodavam nas bancadas de auditório, algumas muito ansiosas para que sangue nobre viesse a ser derramado. Quando tudo estava devidamente organizado, trouxeram Martin até o banco do réu, e assim que sentou-se a batida do martelinho ecoou através daquela grande caverna da lei. Foi quando o juiz deu início à audiência.  

— Com sua licença, queridos membros do júri. — então começou Mocha. — Estamos hoje aqui reunidos para dar início ao julgamento deste homem. O senhor Martin Mellowick. Acusado dos crimes de furto e deserção. É do dever de todos aqui presentes decidirmos o destino desse jovem perante à corte. Espero que, como sempre, essa casa da lei faça a decisão mais justa possível. Eu, Mocha Valsani, devido a algumas complicações no calendário, hoje serei a promotora. — disse ela, e então dirigiu-se a sua bancada.

— ...Tinha mesmo de ser ela...? — murmurou Martin.

Aquela era mesmo uma situação infeliz.

— Já eu, Jean Pierre, serei a defesa. — então exclamou um curioso e baixo rapaz de cabelo ondulado. Ele partia de um canto do salão, aproximando-se do pátio e ajeitando seus óculos. Então caminhou até a bancada e passou a encarar o réu neutralmente.

— Perfeito. — Martin queixou-se consigo mesmo. — Um advogado do governo. Por que se importariam em me dar uma chance de defesa afinal?

— Ahem. Agora, com a sua licença meritíssimo, daremos início as acusações. — dizia a senhorita Mocha, olhando desconfiada para a defesa, que do lado contrário da corte olhava para o chão com os olhos fechados. — A primeira acusação contra o réu é pelo crime de furto. De acordo com testemunhas, anteontem pela manhã, o réu foi avistado roubando uma porção de moedas de uma obra sob os cuidados de um grupo de construtores denominados Jardineiros. Além disso, há também uma outra acusação, ainda no mesmo dia, em que ele teria roubado uma... O que? Uma garrafa de vinho sem uvas da, hã, vejamos... — Mocha lia com dificuldade — Barraca do senhor Wilson. Bom... Levando em conta a ordem cronológica dos ocorridos, vamos começar pelos Jardineiros. Senhor Mellowick, poderia dizer ao júri o que estava fazendo na última segunda, às sete da manhã?

— Isso vai depender. Que dia é hoje? — questionou Martin.

— P, Perdão? — replicou Mocha.

— Eu ainda não tive a chance de checar um calendário. Na verdade, ninguém nem me avisou que eu seria julgado agora. Quanto tempo eu dormi naquela cela escura?

Tanto o júri quanto o público começaram a cochichar audivelmente.

— Você chegou ao castelo no mesmo dia que foi capturado, uma segunda-feira. Hoje é o dia seguinte. Entendeu?

— Então é terça? — Martin provocou.    

— S, Senhor Mellowick... — resmungava Mocha, já na beira da paciência. Ela estava pronta a sentencia-lo a uma guilhotina, mas isso não a cabia naquele tempo. — Pode me dizer o que estava fazendo no DIA DO SUPOSTO CRIME? ONTEM! — perguntou.

— Estava cobrando uns idiotas. Por quê?

— Peço que o réu tenha mais respeito ao tribunal. — exigiu o juiz.

— Por que, você pergunta? — Mocha prosseguia, levando seu indicador ao queixo. — Acontece que temos algumas testemunhas que o viram furtando moedas com uma bolsa em plena luz do dia. O senhor acredita que isso seja o mesmo que cobrar?

— Se o dinheiro te pertence, então sim! — Martin exclamou com uma cara feia. 

— Mm, é uma pena, então... Pois com a testemunha da vítima também adquirimos um recibo direto onde consta precisamente como e onde o dinheiro foi recebido com antecedência naquela manhã. Temos a data, a hora e tudo mais. Tragam as testemunhas até a corte. — ao dizer isso, o movimento de alguns indivíduos tomou conta do salão.

 Agora, um velho homem entrava na corte. Tinha um boné azul e um macacão por cima de seu traje, e caminhava rumo ao centro do salão exalando uma familiar e péssima energia. Aquele era Pirlo, claro, nosso suposto caloteiro de antes, e Jardineiro chefe daquele fatídico bairro. Se sentou numa cadeira feito a de Martin, no lado oposto, e de lá encarava-o cheio de raiva. Seguido dele, outras quatro figuras, também testemunhas, entravam no salão. Eram os subordinados de Pirlo, que apesar da pouquíssima importância com o ocorrido, também foram lá para depor. Com eles, também entravam alguns jovens camponeses, que observaram a cena de longe naquele dia, junto à multidão que formara-se em volta deles na manhã. Eram crianças de diferentes tamanhos e de feições um tanto travessas, e que sorriam um para os outros cheios de moedas nos bolsos, visto que batiam muito umas nas outras dentro de seus largos bolsos nos shorts, à medida que caminhavam, fazendo ecoarem os trinques por todo canto através da silenciosa corte.

— Ahem. Então, diga-nos, senhor Pirlo, o que exatamente aconteceu com você e os outros jardineiros naquela manhã de terça? — perguntou Mocha.

— Mas não foi numa segunda? — questionou Martin.

— VOCÊ CALA ESSA BOCA, ESTÁ TENTANDO ME CONFUNDIR! — então gritou ela, quando, diante do profundo silêncio ficou vermelha no rosto. — Perdão meritíssimo... Mas... Diga-nos, senhor Pirlo, o que exatamente aconteceu na última segunda, dia do crime?

— Certo... — replicou Pirlo, um tanto assustado com a senhorita. Logo após isso, limpou a garganta, puxou os bigodes e deu início ao seu discurso. — Oh, sim, sim foi terrível, horrível! — começou ele. Pirlo era um pilantra surpreendente. — Estávamos apenas nos preparando para começar as obras pela manhã, quando esse rapaz surgiu na esquina com a mão na bainha, foi terrível! Ele se aproximou feito um bandido e sacou sua lâmina com sede de sangue! Ordenava que eu e meus pobre subordinados entregássemos nossos suados trocados, apontando-nos aquele gume longo e afiado! Claro que nós, os grandiosos Jardineiros, não deixaríamos algo assim sair tão barato, e por isso, corajosamente, tentamos revidar de mãos vazias, quando em pouquíssimo tempo ficou provado ali que não tínhamos a menor chance. Com aquela rapieira ele nos cortou, cortou de todo jeito que pôde, chegou a arrancar um de meus dedos, e depois chutou um balde cheio de cola de construção sob a calçada, nos derrubando em cima dela, onde ficamos presos no chão observando ele nos roubar todo o dinheiro, impotentes naquele quente asfalto. Foi tão humilhante! Logo depois, os guardas chegaram, mas o crime já tava feito. Não foi isso rapazes?

— Quem aqui cortou fora o seu dedo, seu velho podre?! Por acaso está faltando uma entre essas dez salsichas gordas que leva nas mãos? — Martin exclamou furioso em sua cadeira, debatendo-se algemado.

 Logo atrás, os homens de Pirlo balançavam a cabeça em profunda aceitação, assim como os jovens camponeses. Todos muito bem pagos. Juntos, eles confirmavam a mentirosa e deturpada versão do jardineiro, que para o réu virava-se num sádico sorriso, ao que impotente o mesmo apenas encarava-o de volta, temendo o sistema judiciário no auge de sua corrupção.

— Muito obrigada, senhor Pirlo. — dizia Mocha, quando tirou de seu chapéu uma pequena folha de papel — Ahem. Quanto à alegação da posse do dinheiro, eis aqui um recibo retirado pela vítima no mesmo dia. Aqui consta um pagamento adiantado pelo proprietário da residência onde a obra acontecia, mas, de acordo com o próprio réu, esse dinheiro o pertencia. Como explicam isso?

Martin sentiu-se encurralado, mas Jean tinha uma opinião contrária.

Respirando firme, o homem suspirou e trocou olhares com a promotoria.

— Esse cara... — Mocha pensou em silêncio. — Por que tinha que ser ele?

Com os lábios secos, Jean fez um barulho pensativo com a boca.

— Simples. — disse ele. — Muito simples.

E por algum motivo desconhecido, Pirlo sentiu um calafrio na espinha.

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