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Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

10 - A própria Lei em pessoa

10 - A própria Lei em pessoa

Apr 09, 2025

Hoko, a rã gigante de Toni, deu início à audiência ao devorar a mariposa que Martin seguia com os olhos. O rapaz não invejava mais o inseto, apesar de se identificar mais com ele agora. Apesar disso tudo, o julgamento prosseguia.

— Senhor Toni. — começava o juiz. — Sei que é do protocolo da guarda anfíbia, mas seria mesmo necessária a presença desse animal na corte? Não acho que nada de muito ruim vá acontecer aqui e agora. Estamos na praça central do castelo! A segurança é alta!

— Mas é claro. — diz Toni.

— Claro que...?

— Que sim. — completava Toni, e arremessou uma mosca de borracha ao seu grande Hoko, que a agarrou com sua boca banguela e se manteve ocupado com o brinquedo.  

— Isso deve mantê-lo comportado — disse Toni. — Se não for muito incômodo...

O juiz preferiu agilizar as coisas. — Certamente. — ele disse.

Antes de argumentar qualquer coisa, Mocha esperou para ver se Toni não diria algo.

Ele não disse.

— Pois bem, então. — dizia a senhorita — Delegado Toni, poderia nos dizer o que...

— Me-ri-tí-ssi-mo. — interrompeu Toni.

— DIGA LOGO O QUE VOCÊ VIU! — Mocha berrou. 

— Bom, naquele dia eu tinha deixado meu posto na delegacia cedo pela manhã, quando recebi o relatório de um dos meus subordinados, onde dizia que o réu tinha chego à cidade. Tinha sido informado pouco tempo antes que a Távola Engrenagem estava atrás do garoto, então mandei que se espalhassem e procurassem por.

— Por? — quis saber o juiz.

— Toni! — exclamou Mocha.

— Por ele. — completou Toni. — Eu tava na Praça de Antimônia, lanchando por acaso, quando avistei esse rapaz fugindo dos meus subordinados entre os estandes, e foi nessa hora que telefonei a senhorita Mocha para avisá-la do safado. Foi também quando o moleque surgiu saltando de uma barraca cheia de garrafas de vinho, que se despedaçaram por todo lado. E sim, esse velho estava lá, pulando e berrando. Além disso, o garoto carregava mesmo uma garrafa de vinho, com o mesmo adesivo daquelas que rolavam pelo.

— Chão? — sugeriu Mocha.

— Pavimento. — completava Toni.

— Muito obrigada, delegado... — dizia ela, com desgosto. — E caso ainda reste duvidas, no palco da luta entre o comandante Cainfield contra o réu, uma garrafa foi arremessada pelo senhor Mellowick, e colhendo os cacos como evidência, reconstruímos um protótipo que é exatamente como as garrafas da marca de vinhos do senhor Tolfuro.

Mocha mandou entrarem com o protótipo de garrafa, chocando a corte. Ao lado, estava uma autêntica peça artesanal feita pelo senhor Tolfuro. Ambas eram idênticas!

— Dessa vez ele não me escapa. — pensava a senhorita.

Pierre Jean, por outro lado, tinha uma opinião diferente.

— Ah, sim, entendo. — dizia ele — Então o meu cliente estava mesmo com uma garrafa, não é? Mas sobre o furto de mais cedo, tem algo que eu não entendi.

— Hã? O que você não. — disse Toni.

— Entendeu. — completou Mocha.

— Me responda uma coisa, delegado Toni. Já que você tem um relatório, então o horário que o meu cliente foi visto, entrando na cidade, está registrado, não é?

Na tentativa de agilizar as coisas, Toni apenas acena com a cabeça violentamente, pois estava com fome, e também com pressa de ir embora.

Jean cruzou os braços. — Pode me responder outra coisa, então? Mais precisamente, que horas eram quando o meu cliente foi visto nos arredores da cidade pela primeira vez?

A corte se agitou com a ousadia da pergunta.

— Se me lembro bem, — dizia Toni — foi algo entre as seis da manhã, ainda fora do portão da cidade. Ele vinha a pé, com uma bagagem, da direção dos bosques do.

Todos aguardaram pacientemente.

— Sul. — terminou.

— E o senhor depois mandou seus subordinados atrás dele, não foi? — disse Jean.

— Sim.

— Vejo que a tal da bagagem foi bem registrada. Sendo assim, ele por acaso também carregava uma outra coisa nas mãos? Uma garrafa de vinho, por exemplo?

— No papel não havia nada parecido, então presumo que.

 Jean o aguarda pacientemente.

— Presumo que não. — Toni então completa.

— Esplêndido! — afirmava a defesa. — Compreendo. Compreendo perfeitamente. Então está me dizendo que o meu cliente chegou por volta das seis, hã? E que não carregava nenhum objeto nas mãos também, e que, bom, antes disso nem estava na cidade, né?

— Droga, Toni. Tá de brincadeira... — Mocha começou a se desesperar.

— É isso mesmo. — falou o delegado.

Lentamente, Jean virou o seu olhar pacato para a senhorita.

— Perfeito. — ele disse. — Devo começar, querida Mocha?

A mulher tinha sangue nos olhos. — Vá em frente, seu metido.

— GOAL! Pois então vamos aos fatos. Quer dizer que o meu cliente foi visto nos ARREDORES pelas seis, sem nada nas mãos. Mesmo assim, o suposto furto aconteceu dentro da cidade, por volta das quatro, mas, de algum jeito, ele esteve dentro da cidade com a garrafa em mãos, um pouco mais tarde, né? SE por acaso ele, de alguma forma, estivesse na cidade pelas quatro, como o relato do senhor Tolfuro sugere, acha mesmo que ele ROUBARIA duas garrafas, sairia da cidade, só para passar pelo portão de novo mais tarde, e sem trazer o que tinha roubado? Isso não faz sentido nenhum, e os horários não batem! O ladrão de garrafa e o sujeito que viram nos arredores não podem ser a mesma pessoa! Então qual deles é o meu cliente?

— Talvez a guarda tenha cometido um erro no relatório. — argumentou Mocha.

— Mas dizer isto seria duvidar das capacidades da própria guarda que o ajudou a captura-lo em primeiro lugar, senhorita Mocha! Os relatórios não mentem! E acredito no senhor Tolfuro. Ah, sim, acredito. Mas o fato é que as duas coisas não têm relação! E se o próprio delegado Toni, que estava encarregado de comunicar o paradeiro do rapaz, diz que ele não estava na cidade antes das seis, então, GOAL! é porque não estava!

Um tumulto ainda maior se formou entre o público, e tudo o que se ouvia era conversa.

— ORDEM, ORDEM! — impôs o juiz. — A promotoria tem algo a dizer?

— Acabem logo com isso. — Mocha resmungou.  

— Oh... então foi isso que aconteceu? — dizia o senhor Tolfuro — Que coisa, que coisa. Mas então, se me permite perguntar, como foi que o menino conseguiu a garrafa?

— EU ACHEI! — Martin exclamou indignado. — É ISSO QUE TENTEI TE DIZER!

— Que coisa, que coisa! Eu me precipitei, então, hã? — Tolfuro disse meio sem graça.

— E MUITO!

Jean aproximou-se do seu cliente e, com uma voz importante, disse ao público:

— Bom, me parece que as duas acusações de furto contra o réu estão retiradas. Estou certo, meritíssimo?

— Está, sim. Levem o senhor Tolfuro para que possa retirar a queixa. A senhorita Mocha deve dar início à última acusação, agora. O fim da audiência está próximo.

— Ah, sim. Claro. — disse Mocha. A senhorita tinha perdido o interesse na audiência. — Sendo assim, irei começar. A última acusação contra o réu é bem simples: o hediondo crime de abandonar o castelo, a deserção nobre. Cinco anos atrás, no mês de maio, o senhor Martin Mellowick deixava esse castelo aos doze anos de idade, logo após a tragédia que levou ao falecimento de nosso finado Anésio Mellowick. Como filho mais velho de sua mãe e herdeira da família, Darla Mellowick, e na ausência do seu finado pai, Martin deveria ter assumido, por ordem da lei, as responsabilidades de seu avô como o mais velho dos herdeiros homens, ao atingir os dezesseis anos de idade. Sua posição como patriarca deveria ter entrado em vigor em março do ano passado, quando o réu completou a idade requerida, e sua ausência causou grandes problemas ao castelo e a instabilidade de relações políticas com o além-mar. Sendo assim, a deserção do réu se torna um crime gravíssimo contra a diplomacia internacional do reino, e a lei exige retribuição.

— Vai me safar desta, também? — Martin perguntou por curiosidade.

Jean balançou a cabeça melancolicamente.

— Não. Mas vamos olhar pelo lado positivo. Das três acusações, te liberei de duas. Nada menos que um GOAL, não concorda? — o advogado ajeitava o seu paletó.

— Pois bem, defesa? — perguntou o juiz.

— É. Pois bem? — adicionou Mocha.

— Pois bem! — disse Jean. — É com imenso pesar que eu e o meu cliente não questionaremos esta acusação. O desaparecimento é do conhecimento de todos, e o réu não apresenta nenhum arrependimento ou justificativa para a deserção. Não há nada a dizer.

— Que perda de tempo. — Martin resmungou.

O juiz bateu o martelo contra a mesa. 

— Sendo assim, — dizia ele — declaro o réu como CULPADO nesta acusação. Seguiremos com a votação do júri. Quanto ao veredicto geral, levantem suas cartas aqueles que consideram o réu inocente, e os lenços para quem o considera culpado. Sejamos justos.

Com uma certa ansiedade, o júri entrava em ação, discutindo de breve forma sobre o desfecho da corte; coisa que já tinham feito muitas vezes durante o decorrer da audiência. Alguns levantam lenços. Outros, cartões. Alguns trocaram de lado e outros mantiveram-se neutros. Diante da impecável defesa de Jean para ambos os furtos, o resultado era inevitável, e em ambas as audiências o réu saíra com um título de inocência. Mas para a última acusação, o resultado continuou unânime: apenas lenços foram erguidos.

— Agora. Para o Senhor Mellowick, e todos presentes nessa corte, — com uma grave voz, o juiz anunciava — foi decidido através desse veredicto e, também, pela análise dos fatos apresentados pela defesa, que o réu está oficialmente inocentado das acusações de furto. No entanto, mesmo não roubando nada, isto não o livra do crime de deserção nobre e: Em nome deste salão sagrado da lei, por esse delito Martin Mellowick será declarado...!

De repente, um brusco e súbito movimento abre as portas do salão, com força.

O juiz é interrompido, a corte entra em completo silêncio, e então uma figura grita:

— Parem com isso imediatamente!

Seja lá quem fosse essa pessoa, chutando as portas do salão de Argienol, ela estava cometendo um crime muito grave — um quase impossível de sair ileso. Desrespeitar a autoridade desta maneira era uma infração terrível, e todos olharam às portas muito curiosos para conhecer esse indivíduo corajoso que acreditava estar acima da lei.

Eles estariam menos chocados, talvez, se um revolucionário ou terrorista estivesse nos portões cristalinos da caverna, mas o que viram foi algo bem mais interessante.

Se tratava de Helffrey, o Primeiro Ministro. A própria Lei em pessoa.

Com seu enorme sobretudo preto, clássicas luvas brancas e vestimentas elegantes, a figura de autoridade adentra o salão com passos pesados e imponentes.

Já tínhamos visto ele antes.

— Escutem. Esse julgamento está anulado. — exclamou o mesmo.

O homem caminhou até o centro do salão, em completo silêncio; todos o observando com compostura e respeito. — Parece que houve um erro de protocolo quanto à pena deste cidadão. Foi tudo um grande mal-entendido.

— Senhor Helffrey? Mas o que quer dizer com isso? — perguntava Mocha.

— Senhorita Mocha. — disse o Ministro, de repente, e a olhou com uma fria expressão. — Soube que Cainfield não chegou a avisá-la, como de costume, mas esse julgamento realmente não estava previsto para hoje.

— Mas o que?! Como é que ele pôde...? Aquele idiota! Uma informação tão importante, e vinda direta do senhor ainda por cima!

— Está aí algo que eu também gostaria de entender. — disse o ministro, colocando as mãos nos bolsos. — Ao menos o rapaz está realmente aqui, como posso ver.

— Cainfield... Quando eu o ver novamente... Vou rasga-lo assim como fez com a minha agenda. — Mocha resmungava frustrada — Aquela cabeça oca! Orangotango! Jumento!

— Não se preocupe com isso. — mediou Helffrey. — Foi erro meu confiar a ele uma tarefa tão simples. O homem é forte, mas não muito atencioso. Deveria tê-la informado diretamente, ao invés de Cainfield. Minhas sinceras desculpas.

— D, De forma alguma, senhor ministro! Eu sou quem deveria ter se informado mais a respeito, afinal não foi natural do senhor, enviar uma busca por esse rapaz, de forma tão repentina. Meus perdões.

— Bem, de nada vai adiantar ficarmos aqui se desculpando. Fez bem em seguir o protocolo, senhorita. Ótimo trabalho. Se o velho um dia aposentar-se ou morrer, saiba que é a primeira pretendente à nova conselheira. Continue com o bom serviço, mas amanhã, quando tiver descansado. Está dispensada por hoje.

— Sim senhor! — Mocha replicava com um grande sorriso no rosto.

— E boa tarde a você também, Jean Pierre. — continuou o ministro — Inocentando os nossos criminosos como o de costume, posso ver.

— Alguém tem que fazê-lo, não é, senhor ministro? — replicou este.  

— Tem toda a razão, mas não mais por hoje. Você também está dispensado.

“Por que não me dispensa também, ladrão de trono?” — Martin resmungou em voz alta. De um instante para o outro, a corte pareceu ficar mais silenciosa que o próprio vácuo.

Helffrey colocou um gélido olhar sobre o rapaz.

— Ah, sim. Você. — ele replicava. — Devo dispensá-lo em breve. Não se preocupe.  

Parecendo fora do sério, o rapaz lhe lançou um olhar de desgosto.

— Como vai o seu governo de merda? — perguntou.

O ministro deu um suspiro. — Não muito mal, eu diria. Mas, no momento, estou com uma pedra no sapato. Uma que só um inútil como você pode remover, infelizmente.

— Como é?

— É assunto para mais tarde, Mellowick. — Helffrey o respondia — Agora! Esta corte está fechada! Todos para fora daqui! E guardas! Quero que levem o réu comigo ao castelo.

A multidão se agitava, saltando dos assentos e escadas, quando Helffrey ordenou:

— Vamos indo!  

Sob a ordem de Helffrey, a corte cortou-se logo e a chuva choveu pesada. Ele subia os degraus à frente de todos, levando consigo o principal elemento da nossa história; ninguém menos que o réu, Martin Mellowick. Junto dos guardas, o jovem era empurrado às escadas de maneira muito desconfortável, subindo os degraus de um a um enquanto as gotas da chuva forte caíam sobre ele. Coberto apenas por um pano, Martin fazia uma caminhada encharcada, em companhia dos cavaleiros, enquanto o ministro andava na frente — atravessando o pátio do castelo com sua imponente capa preta. A multidão corria de volta à capital, na esperança de abrigarem-se depressa, e os portões de Argienol se fecharam com um estrondo. No salão da justiça, mais uma longa audiência havia oficialmente terminado.

No caminho entre a corte e o castelo, Martin não disse uma única palavra.

Mas apesar de tudo isto... o julgamento ainda não havia terminado.


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