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Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

17.2 - Piston Pucker

17.2 - Piston Pucker

Jul 24, 2025

. . . 

Assim que chegaram à sala da caldeira, o homem chutou a escotilha e todos desceram em velocidade relâmpago. A ansiedade por comer alguma coisa já era maior do que a fome em si, e o trio pôs-se a vasculhar as gavetas. Havia mais grãos e massas do que qualquer outra coisa, mas, como o autor do plano havia sugerido antes, também havia carnes, frutas e legumes desidratados; assim como algumas conservas bem salgadas e apetitosas. Cada um pegou o que lhes agradava, serviram-se em uma tampa de panela e, com um sorriso no rosto (à exceção de Martin, que tinha um pseudo sorriso), puseram-se a comer contentemente.

O homem misterioso era fã de picles, e estava comendo um crocante quando disse:

— Haha! Parece que deu tudo certo afinal! Eu não disse?

— Bem, isso é verdade, mas... — dizia Martin — você foi o primeiro a dizer “recuar” quando a coisa apertou. E o grito que essa escandalosa deu também não ajudou em nada.

Clara quase se engasgou com sua carne seca.

— É o que? A culpa agora é minha, então?

Martin evitou os olhos dela. — Se a carapuça serve...  

— Humph. — ela esnobou. — Você também tava cagando de medo, que eu sei.

— Como é?

— CA-GAN-DO. — repetiu Clara. — Morrendo de medo. Subiu uma catinga ali atrás!

— Só se for a sua! Aposto que é por isso que você não quis ir na frente!

— Repete isso, ou, aristocrata de viela!  

Os dois começaram a disputar as forças em uma lutinha de criança.

— Gente, estamos comendo... — disse o jovem homem.

Clara enfiou um indicador molhado na orelha de Martin.

— Você não se mete, seu... hã...!

Martin contra atacou com o mesmo ataque, mas mirou nas duas orelhas.

— Qual que é o seu nome, mesmo? — ele perguntou.

—   Tim!

—   Tim? — os dois disseram em coro.

—   Isto mesmo. Tim! Meu nome é Tim Impares.

Clara cutucou Martin no ombro. — É um bom nome, né?

Ele acenou com a cabeça. — Até que sim. Combina com ele.

Tim mordiscava uma fatia de jabá.

— Acham mesmo? Obrigado! E vocês são Clava e Marcos, não é isso?

— Eu sou Martin....

— Me chamo Clara...

— Foi o que eu disse!

— Não foi não.

De repente, Martin sentiu uma estranha quentura por debaixo dos pés.

Ao olhar para os seus sapatos, o rapaz se assustou e deu um salto.

— EI, QUE DROGA É ESSA?

Clara se assustou com a reação. — O que foi, menino?!

Ela estava para dizer algo, quando também sentiu os pés queimando.

Tim os puxou para cima dos caixotes, com um olhar preocupado.

— ...O que é isso?...

Era lava. Pura, honesta e escaldante.

Tão quente como imaginável, uma fina camada de lava derretida agora invadia a caldeira, rastejando por debaixo da porta e deixando um rastro de fogo para trás.

— Lava! — exclamou Martin, espantado, pois só isso lhe veio à cabeça.  

Tim coçou o próprio queixo. — Sim, lava! Mas como, no meio do oceano...?

Um cheiro de enxofre subia pelo ar, e a trilha de lava se aproximava, cada vez mais, da caldeira acesa, carregada de inflamáveis. Clara abriu a porta da sala com um chutão.

— Tou satisfeita. — disse ela. — Vamos embora daqui, logo!

Então, saíram correndo, corredor afora, saltando entre as labaredas e contemplando uma realidade que ninguém poderia imaginar. Justo quando todos terminaram a janta, se sentindo finalmente prontos para a cama, o Piston Pucker ardia; ardia como nunca havia ardido, nem mesmo quando o seu metal foi fundido. Debaixo da tempestade que caía lá fora, a enorme estrutura do cargueiro, agora, estava em chamas; os corredores cheios de lava, suas válvulas derretendo e seus pistões caindo aos pedaços dentro do abismo do mar.

Pessoas corriam por todos os lados, pedindo socorro; mas a maioria dos tripulantes se armava e corria em direção ao convés, onde algo enorme e incandescente se erguia.

Martin, Tim e Clara se incluíam nessa multidão.

Durante sua corrida, eles ouviam os gritos abafados pelas chamas:

“É enorme, e está queimando tudo!”

À direita do trio, um pilar incandescente varreu um quarto com uma pancada.

“É um monstro de chamas! Um demônio! Estamos perdidos!”

“Não desista ainda! A Marinha de WC está tentando extingui-lo!”

Algo rugiu do lado de fora do navio, e ouviram o som do mastro despencando no mar.

“Não! Não adianta, você não entende! A embarcação já era!”

“VAMOS MORRER!”

Houve o som de alguém sacando uma espada.

“Não sem levar esse desgraçado junto!”

Então chegaram ao fim de um corredor que levava ao convés.

Tim arrombou a porta com uma cotovelada, liberando uma nuvem de fumo negro.

A chuva embaçava a visão, mas o trio se recompôs sobre as tábuas molhadas, esfregou os olhos e tentou desembaralhar a paisagem. Martin, que tinha a visão mais aguçada, foi o primeiro a entender com clareza o inferno que estava diante dos seus olhos.

— Merda. — foi tudo o que ele conseguiu dizer.

A tempestade rugia. As ondas transbordavam para dentro do cargueiro, atraíam raios e jorradas de água fria surravam o convés e os tripulantes. Todos tentavam combater as chamas o tão bem quanto podiam, mas havia algo estranho. Os pilares incandescentes, as chamas, o líquido escaldante que escorria pelo convés... Nada daquilo era natural. Martin procurou pela razão com seus olhos, mas não demorou nada até que uma súbita queda entre as ondas revelou a parede incandescente e assombrosa que ele jamais esqueceria.

Era uma criatura colossal; um molusco feito de lava; um diabo vulcânico do abismo.

Era difícil se dar conta do tamanho, já que o seu corpo era tão grande quanto o próprio navio. Com movimentos lentos, o monstro mirava os tentáculos com frieza, e então despencava-os em golpes catastróficos que destrinchavam o Piston Pucker como faca na manteiga. Seus focos de chama cobriam a embarcação por inteiro, e os valentes tripulantes sequer sabiam como, ou por onde combater aquela assombração titânica e incandescente.

Sem dizer nada, Tim chamou Martin com um sinal e carregou Clara com o outro braço. Ele corria para o sentido leste do convés, na direção de um grupo específico de tripulantes. O jovem homem era veloz, atravessando as labaredas e saltando as fendas que se abriam no chão conforme a madeira rachava e carbonizava. Tim estava muito perto de alcançar seu objetivo quando, de repente, uma enorme viga de suporte caiu flamejante diante deles. Uma nuvem de brasas foi expulsada na direção do trio, e Martin quase não tapou os olhos a tempo. No mesmo instante, uma explosão gigantesca eclodiu do bolbo esquerdo do cargueiro, fazendo com que o mesmo afundasse cada vez mais rápido.

Eles estavam cercados, próximos às chamas e, agora, deslizando entre as tábuas.

Tim já se preparava para agarrar os dois colegas e saltar para dentro do fogo, como um último recurso, mas, antes disto, uma poderosa intervenção surgiu diante do trio.

Era um jato. Um poderosíssimo jato d´água irrompeu detrás das cortinas de chamas, apagando a lavareda e as chamas do pilar; o que fez erguer uma gigantesca nuvem de vapor no horizonte tempestuoso. Do outro lado da cortina, apareceu um homem alto, vestindo uma armadura dourada. Ele arremessou uma corda. Tim a agarrou e foram puxados até a parte semi intacta do convés, onde a maioria dos tripulantes mais fortes se reuniam.

— Essa foi por pouco! — exclamava o cavaleiro, de silhueta escura e uma bondosa e imponente postura. — Todos estão bem?

— Estamos bem! — disse Tim, sem perceber que Clara havia desmaiado e Martin, depois de ingerir tanta fumaça, tentando acompanha-lo, já estava todo sem fôlego.

O rapaz ficou com Clara nos braços, enquanto Tim se afastou para ajudar os outros guerreiros. Ao recuperar o fôlego e os sentidos, Martin não viu outra alternativa senão observar as ruínas do Pucker e se perguntar se este seria, mesmo, o fim prematuro da vida.

“Não tem nada que eu possa fazer...” — ele pensou, desesperado. “Nada.”  

À uma distância absurda, Martin pôde ver uma fileira de raios atingindo o horizonte. Eles iluminavam a silhueta de três montanhas titânicas, que o rapaz pensou ter imaginado.

Em seus últimos instantes conscientes, a Lâmina do Zelador estava fora da bainha.

Ela apontava para o inimigo: grande, imponente e escaldante só de olhar.

Algo escuro, pegajoso e folheado envolveu seu corpo e sua vista de repente, e ele viu as costas de Tim; seus cabelos voando com o vento; depois, apenas o abismo escuro.

 

O Piston Pucker envergou,

e houve gritos.

Então raios,

e então silêncio.  

A embarcação, depois daquela noite, nunca mais seria vista.

dudoteacher30
momentodudo

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#aventura #Misterio #shonen #Fantasia #comedia #novel #BR

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