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Momento Mellowick, Ato 1 — Uma Expedição Explosiva!

18 - Desconfiança.

18 - Desconfiança.

Jul 31, 2025

Contra todo o senso comum, após o incidente da noite passada, Martin abriu os olhos.

Ele estava confuso, cansado e dolorido: mas vivo. Debaixo do peito e das pernas, o rapaz sentia uma areia quente e macia. Martin ouviu o som de gaivotas, ergueu o torso com o cotovelo e assustou-se quando uma grande onda alcançou a costa para fazer cócegas nos seus pés. Então ele estava de pé; a brisa soprando contra o seu rosto, a maré chiando alto, e uma visão surpreendente diante dos olhos.

Tratava-se de fauna. A Fauna, para ser mais exato.  

Há uns vinte metros à frente do rapaz, uma selva densa, escura e intimidadora se elevava. Martin olhou para ela um pouquinho, e bateu seus sapatos cheios de espuma.

“É, eu estou vivo.” — pensou consigo mesmo. — “Mas onde?”

O matagal assustador não respondeu sua pergunta, mas expressou alguma opinião na forma de um rugido; seguido do gralhar de pássaros e uma ventania morna e potente, que saiu de dentro da mata e que levaria embora o chapéu de Martin — caso este não estivesse totalmente encharcado, também.

Lá em cima, o sol brilhava forte. Martin fez questão de observá-lo de primeira, e determinou com facilidade que ainda se tratava da manhãzinha. Mais ou menos dez horas.

“Preciso entender isso aqui, primeiro.” — ele resolveu.

Foi dar uma volta, perto de onde estava, e tentou prestar atenção nos detalhes. Martin encontrou alguns escombros e pedaços de madeira; alguns parafusos; tábuas encharcadas e até um botão do seu casaco. O objeto mais importante que encontrou, de fato, foi a sua bainha — que ele só se deu falta quando a viu jogada na areia. Mas quando Martin foi apanhá-la, foi mordiscado por um caranguejo num verdadeiro momento-ronaldo. Ele sacudiu a dor para longe — literalmente, de forma que o caranguejo quicou três vezes na água antes de afundar entre as ondas — e só então percebeu algo preocupante: a Lâmina do Zelador não estava mais lá dentro; coisa que fez a sua espinha gelar por um instante.

Ele passou a procurá-la na areia, meio desesperadamente. Mas sem sucesso.

Em uma dessas rondas, ele observou que um largo pedaço do mastro havia encalhado ali por perto, e resolveu ir dar uma olhada. Quando chegou lá, Martin foi confrontado com duas realidades desapontantes. A primeira: é que sua espada não estava lá, e a segunda foi uma mensagem deixada por alguém, mas em letra cursiva e desenhada, com pedrinhas, na areia; até porque estar em cursiva já não deixava as coisas difíceis o bastante.

E com bastante dificuldade, o rapaz decifrava a mensagem: 

 

“Caro Martin. Se estiver lendo isso, é porque ainda sabe acordar. Tim insistiu em entrar na selva para buscar água, e eu resolvi acompanhá-lo por segurança. Desculpe por ABANDONAR você DESACORDADO no meio da praia. É tudo culpa do Tim. Tchau e paz.”

~ Atenciosamente, C.B

 

Abaixo da mensagem, estava uma seta enorme, apontando para dentro da floresta.

Martin, francamente, se sentiu ressentido e não muito animado em ir atrás dos dois.

Além do mais, ele ainda estava buscando a rapieira, então fez a seguinte decisão:

“Vou dar uma volta na praia, e ver se encontro mais alguém, ou minha espada.”

Enquanto caminhava, o rapaz não pôde ver sequer uma alma viva, mas nisso teve tempo de sobra para observar um pouco a paisagem do inexplorado território que, modéstia parte, possuía uma grandeza de tirar o fôlego, no bom e no mal sentido.

As águas cristalinas refletiam o sol como espelhos, e a areia da praia era extremamente clara e macia. Coqueiros estavam por todas as partes, espalhando folhagens secas, e havia também uma grande variedade de pássaros marítimos, desde gaivotas coloridas à papagaios pintados e pelicanos listrados, com bocas tão fundas quanto birutas de vento. Outras criaturas voadoras também espreitavam a fauna à distância, e alguns bichos rastejantes podiam ser enxergados por debaixo da água, espreitando em silêncio, mas Martin não tinha ideia do que eram. À distância, era possível ver, no horizonte do mar, a tempestade permanente que rodeia o arquipélago — rugindo e trovejando, no céu negro e intimidador. A espuma das ondas era retida pela areia com frequência, e a ventania que soprava da selva era suficiente para criar bolhas que voavam em direção ao oceano.

“Nada mau.” — imaginou Martin. — “Mas nada da minha rapieira...”

Francamente, não faria sentido nenhum a sua rapieira estar tão longe pela praia; mas se Martin tivesse, realmente, perdido sua preciosa espada, então este era apenas o começo das cinco etapas do luto. O rapaz poderia andar na praia por uma semana, se necessário.

Não houve, contudo, nenhuma necessidade disso.

Isto porque, enquanto descansava debaixo de um coqueiro, Martin reconheceu algo, à distância, que lhe tirou a atenção da busca e ativou a curiosidade primal da sua pessoa. Era difícil enxergar direito — com a distorção do calor — mas ele tinha um palpite. Conforme foi se aproximando dos objetos, era inevitável perceber como iam ficando cada vez maiores.

Ele soluçou, espantado.

Mas o que Martin estava vendo, afinal?

 

Castelos de areia. Eram castelos de areia. Grandes castelos de areia, do tipo que é feito com baldes, mas com uma altura absurda. Alguns mediam a altura de Martin, e outros chegavam a ser maiores. O rapaz sentiu-se confuso, mas curioso, e foi se aproximando devagar, agachado. Apesar de se parecerem com castelinhos de praia, Martin não demorou notar como os objetos eram, na verdade, estruturas complexas com orifícios e um senso respeitável de arquitetura.

Discretamente, Martin espiou por uma janelinha minúscula, em um dos castelos maiores. Ele não pôde ver nada, porque lá dentro estava tudo escuro, mas percebeu de cara como estavam habitados por pequenos caranguejos de praia. Como, vocês perguntam?

Levando uma pinçada no olho, é claro. Mas tudo ficou bem.

A fascinação de Martin pelos objetos era grande, mas, depois dessa descoberta, ficou ainda maior. Na sua opinião, era algo muito charmoso e interessante, como caranguejos eram capazes de construir muito melhor do que os pedreiros que ele conhecia. Formigas e cupins fazem coisas parecidas, é claro, mas nada como aquilo, do seu ponto de vista. Os castelos não eram colônias: longe disso. Eram casas individuais, ou, às vezes, abrigos para caranguejos bebês. Além do mais, no topo de cada castelo, hasteavam uma bandeira de alga. Depois daquilo, Martin nunca mais questionaria a inteligência de um crustáceo.

Outro fato interessante é como os castelos eram decorados com bugigangas.

Sapatos, gravetos, engrenagens, parafusos, machados, adagas... Para cada cinco castelos, dois ou três estavam enfeitados com tranqueiras que, possivelmente, foram trazidas do náufrago de ontem a noite ou de noites passadas. E isto deu a Martin uma ideia.

“Minha rapieira pode estar por perto... melhor eu continuar procurando.”

Martin continua procurando.

Mais alguns minutos de caminhada o levaram a um rochedo na praia. Ele estava cheio com tralhas e resíduos encalhados, e uma porção de caranguejos o futricava incessantemente. O rochedo era estranho e suspeito, mas nem se comparou ao que estava bem ao lado dele: coisa que fez Martin se agachar na areia e andar com muita cautela.

Somente há alguns metros do rochedo, estava uma cabana.

Suas calhas pontudas estavam sujas e mal acabadas, e a estrutura estava repleta de cordas penduradas, enfeites de sucata e velhas folhas de coqueiro; além da pintura descascando. Uma cadeira de praia repousava bem na sacada. Sua porta parecia trancada, mas a janela da frente estava bem aberta. Tudo ficou muito silencioso de repente.

O rapaz se questionava sobre como deveria abordar a cabana: do jeito lento, manhoso e em puro silêncio; ou do jeito rápido, marrento e apenas quietinho. No entanto, algo interrompeu o seu pensamento. Ironicamente, isto lhe deu a resposta que precisava.

Martin se levanta e corre em direção à cabana, mas não entra.

Ao invés disso, ele faz uma curva e pausa; diante dele, uma sombra 2x o seu tamanho.

Avizinhada da choupana, estava outro enorme castelo de areia. Sua bandeira: a maior e mais bem detalhada que Martin encontrou, dentre as bandeirolas de alga do mar. Mas a parte importante, mesmo, era o mastro onde estava hasteada. Um mastro adornado, afiado e que refletia o sol em seus olhos... um mastro que faria bom uso de óleo para ferrugem...

Um mastro que... espera. Essa não é a Lâmina do Zelador? 

Sem dizer nada, o rapaz vai apoiando os pés na areia: dando passos devagar e tentando alcançar a parte mais alta. Ele a alcança sem dificuldade e, agarrando a haste da rapieira, começa a puxá-la com delicadeza; a lâmina atolada na areia pela metade.

Devagar, devagar.

Em um, dois, três e...!

“SWISH!” — a espada saía com facilidade, Martin a apontando pro céu.

Mas, com isso, algo desestabilizou o castelo, e toda a areia veio a baixo num instante. Martin foi gentilmente soterrado, pela areia macia, e ergueu a cabeça para fora em seguida.

— Encontrei! — disse para si mesmo.

E estava no meio de um suspiro gratificante, em alívio, quando bateram a porta.

Ouvia-se o som de passos e tábuas rangendo. — Quem está aí? — reclamou. 

Martin agarrou firme em sua arma recém-encontrada, e ficou aliviado por isso,

Porque alguma coisa estranha estava para sair dali de dentro...

~

Quando saiu, de dentro da porta, o sujeito que deixava Martin apreensivo, o rapaz não gritou; não chorou; não se surpreendeu e nem ficou desapontado. Foi uma certa quebra de expectativa, é claro, mas nada que não tivesse passado pela sua cabeça. 

Da porta, não saiu nenhuma pessoa.

Da porta, saiu um caranguejo. Um crustaceozinho notoriamente maior que os outros, com o comprimento de um sapato pé de lancha. Ele também vestia um chapéu de vaqueiro.

“O meu nome é Wanker” — é o que diria, se tivesse cordas vocais.

Aliviado, Martin suspirou, contente por não ser nada sério, e se levantava quando...

“SPLASH!” — bem à sua frente, de dentro da maré, uma explosão poderosa emergiu, assustando o rapaz. Uma rajada de água voou para cima, formando um arco íris temporário, e debaixo dele surgia uma silhueta masculina, caminhando em direção à praia.

Ela emergia, do fundo do mar, como se subisse um par de escadas.

—  Que ótimo. — Martin pensou.

A pessoa que vinha em sua direção, no entanto, não era nada ótima. Não de acordo com os gostos pessoais do rapaz; mas sempre é melhor evitar julgamentos.

Tratava-se de um homem nem tão jovem, nem tão velho. Ele tinha um tom de pele bronzeado, com pouca barba, assim como um denso cabelo ondulado e penteado para trás. Sua camisa desabotoada combinava perfeitamente com as bermudas remendadas, e ambas as peças caíam muito bem com o seu óculo escuro que estava faltando uma lente. O que não combinava com nada, mesmo, era o par de meia e chinelo que a figura calçava, e ele também carregava um enorme canudo que estava usando como respirador.

Martin resolve não dizer nada, e espera.

— Ah! — diz o sujeito. — Olha o que temos aqui: um turista! Viu só, Wanker?  

— Quem é Wanker. — Martin perguntou de cara.

— É o meu caranguejo. Este aí, na porta, não tá vendo?

O rapaz olhou para Wanker, e depois para o sujeito extravagante.

— Ah. Claro.  — ele diz. — Combina com ele.

— É. Valeu.

Houve um minuto de silêncio puro; Martin continuava na areia quentinha.

— Acho que eu devia me levantar.

— Não precisa se não quiser, também.

Mas ele quis. E por isso levantou-se, caminhou até a figura e estendeu sua mão.

— Meu nome é Lúcio. — mentiu, e se cumprimentaram. — O seu, qual é?

— Sou Willion. — disse Willion.

Em mais um minuto de silêncio, Martin questionava em pensamento se o nome era verdadeiro ou não. Willion ficou impaciente, pegou seu cantil e passou a beber-banhar-se de água.

— Posso te fazer uma pergunta? — enfim disse Martin.

— Poder você até pode. 

— Esse lugar, onde estamos agora. Isto é Goa?

Willion cuspiu a água que bebia, e gargalhou.

— SHOVAHAHAHA! — bradou ele, que tinha uma risada estúpida. — Goa? Claro que não, jamelão! Estamos em Salga! É uma ilha vizinha! O que te fez pensar em Goa?

Martin ficou em silêncio.

— Você não é o primeiro que me pergunta isso. — Willion voltava a dizer — Soube que, na madrugada de ontem, houve um naufrágio terrível. Bem, é o que ganham por tentar o impossível, não é? Todo mundo sabe que é inútil tentar chegar em Goa. São uns manézões.

— É. Sim. — concordou Martin, pensativo.

Willion encarava-o com uma expressão desconfiada. 

— E você. Lúcio, não é?

— Que? — diz Martin. — Quer dizer. Sim. Lúcio.

— Você parece meio perdido. Não vai me dizer que estava no naufrágio, hã?  

— Não. Lógico que não. — mentiu o rapaz. — Eu sou de uma... equipe de resgate.

— Equipe de resgate?

— Eu e meus colegas tentamos alcançar o cargueiro em chamas, na noite passada, mas eu acabei sendo levado pela tempestade. Por isso perguntei onde estávamos.

— E você é de onde?

Martin coçou a garganta. — Salga, é lógico. Como você. É um alívio saber que não fui parar em outra ilha. Na real, só de eu estar vivo já acho que é um milagre.  

Willion ruminou em pensamento. — Entendo. Um salva-vidas, eh? Talvez você queira bater um papo com os outros sobreviventes, então.

Martin fingiu um engasgo de surpresa. — S, Sobreviventes?

— Aham! Sobreviventes! Alguns passaram por aqui, mais cedo. Fiquei sabendo que estão montando um acampamento no fundo da floresta. Não são muitos, e alguns estão feridos. Quem sabe você não consegue ajudá-los, senhor herói.

— E para que lado eles foram? — perguntou.

— Naquela direção, gente fina. — disse Willion, apontando para a mata.

— Ah, sim. Bom saber. Obrigado pela sua ajuda!

— Não há de que.

Sem dizer nada, os dois continuaram se encarando; com respeito.

 

Mas Martin agarrou a bainha,

e Willion apanhou uma pá por trás das costas,

Em um movimento único, um choque ensurdecedor, e as duas armas colidiram.   

 

— Tá mentindo por que? — Martin reclamou.

— Te pergunto a mesma coisa! — Willion rebatia. 

Em outra pancada repentina, o impacto afastou os dois.

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#aventura #Misterio #shonen #Fantasia #comedia #BR #novel

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