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Rastros de Silêncio

XII. Rastros de um arrependimento (Parte 2)

XII. Rastros de um arrependimento (Parte 2)

Mar 03, 2026

Das sombras, Raziel viu Breno emergir. O ar se esvaiu de seus pulmões não pela surpresa, mas pela humilhação. Nero já sabia que ele estava ali. E agora fazia questão de expô-lo como o idiota cúmplice idiota por trás de sua orquestra.

O sol mal havia subido quando Miguel olhava o celular a cada minuto. Nada. Nenhuma mensagem desde que saíram. O silêncio pesava como uma pedra afundando no rio.

Raziel, sentado à mesa, mantinha o olhar distante. Já previa o que poderia vir a seguir. De repente, Miguel quebrou a quietude.

— Pai… era isso que você estava sentindo? Quando alguém que você ama está em perigo? — murmurou, a voz quase falhando.

Raziel apenas assentiu, com os olhos pesados.

— Davi não está respondendo? — perguntou, como se já soubesse a resposta e a verdadeira preocupação do filho.

O rosto de Miguel desabou, a pele tensa em torno dos olhos; parecia que o ar havia sido sugado do ambiente, deixando-o apenas com o peso da falha do coração.

— Vou falar com o Wendel — disse Raziel, levantando-se.

— Você sabe o que isso significa? Tipo… não é nada, né? — Miguel ergueu o olhar, aflito.

— Espere um pouco aqui. — E saiu em busca de sinal.

Miguel caminhava de um lado para o outro. O coração acelerava, as mãos tremiam. Não era só medo… era raiva. Os punhos se fecharam com força até os nós ficarem brancos. Pensou em Davi. Se tivessem tocado em um fio de cabelo sequer, pagariam caro. A promessa de vingança subiu com gosto de cobre à garganta. Ele a engoliu, sufocando-a. Não adiantaria ser o monstro agora. Tinha que ser a solução.

Raziel retornou e pousou uma mão firme sobre o ombro do filho.

— Wendel também não teve notícias. Temos de ir atrás dele, mas com calma. Precisamos ser espertos. Breno não sabe onde estão as provas.

Os olhos dourados de Miguel ardiam.

— Acima de tudo, vou trazê-lo de volta.

Assim, pai e filho partiram imediatamente.

Enquanto isso, no centro da cidade, a claridade da tarde refletia nos prédios quando Wendel vasculhou o apartamento de Davi. O lugar estava limpo, limpo demais. Nenhuma xícara fora do lugar, nem um papel esquecido. Era como se ele tivesse saído apenas para comprar pão.

Ao sair da portaria, um leve som de passos o fez se virar. Atrás dele, uma moça hesitante: cabelo preto e liso até os ombros, olhos escuros que refletiam as luzes da rua, um rosto suave, mas atento. O suéter neutro e o vestido de malha clara contrastavam com a tensão que a envolvia, havia nela uma delicadeza que não escondia a firmeza de quem tinha visto mais do que queria. Trazia algo nas mãos.

— Você é o Wendel? — perguntou, a voz baixa, controlada.

— Sou sim — respondeu ele, aproximando-se com calma. — É amiga do Davi, certo?

Sayuri assentiu, os dedos firmes no objeto que segurava.

— Você é policial, né? Bom, eu estava com ele ontem, no bar. Parecia tranquilo no início, mas foi ficando… diferente. Inquieto. Como se pressentisse algo. — Ela engoliu seco. — Conversava com um homem de bigode. O clima era pesado. Depois que Davi saiu, dois homens o seguiram.

— Tentou ir atrás? — perguntou Wendel.

— Tentei. Mas quando cheguei lá fora, ele já não estava. — Abriu a mão, revelando um par de óculos. — Só encontrei isso no chão.

Wendel pegou os óculos com cuidado.

— São dele.

— Tentei ligar, mandar mensagem… mas nada. O celular dele está desligado. — Sayuri respirou fundo, o olhar fixo no vazio.

O policial fechou a mão em torno dos óculos.

— É só uma suposição, mas ele pode estar em perigo agora.

Sayuri recuou um passo, sem desviar o olhar.

— Você acha que o levaram?

— Acho que ele não sumiu por vontade própria.

O silêncio caiu entre eles, cortado apenas por um carro distante. Sayuri apertou as mangas do suéter, os olhos marejados, mas firmes.

— Se eu soubesse que ele estava em perigo, teria feito mais alguma coisa…

Wendel pousou um olhar gentil sobre ela.

— Você fez o que pôde. Agora, eu e meus companheiros vamos descobrir o resto.

Ela o encarou, surpresa pela firmeza na voz dele; havia algo tranquilizador ali, mesmo em meio à tensão.

No cair da noite, na delegacia, Wendel analisava as imagens das câmeras públicas: três homens. Um deles tinha o rosto conhecido… era Breno. Quadro a quadro, via-se um corpo de sobretudo verde e luvas pretas sendo arrastado, deixando cair um par de óculos que, na gravação, parecia apenas um borrão escuro.

— É ele! Se eu triangular a localização… espera… bingo!

Enquanto Miguel dirigia de volta, Raziel atendeu à ligação de Wendel.

— Ele foi levado.

— Ele foi o quê? Wendel? — O sinal falhou com um chiado.

— Le-va-do! Seguindo o rastro, dá num depósito velho, descendo pro litoral. Pelo que consegui, o lugar é do filho do Breno.

— O Nero? — Raziel franziu o cenho.

— Isso mesmo — confirmou Wendel.

— Você está dizendo que… — Miguel apertou o volante com força. — O tal Nero está por trás disso?

— Tudo indica que sim. Vou mandar o endereço. Mas é com certeza uma armadilha.

— Eu não me importo. — Miguel fixou o olhar na estrada.

— Esse garoto desastrado é mesmo o último romântico — suspirou Raziel.

— Não sou desastrado — rebateu Miguel, firme. 

— Vou salvá-lo e acabar com esse cara.

Horas depois, os três estavam diante do depósito à beira-mar. O luar se derramava sobre as paredes pichadas, as janelas quebradas e o cheiro de ferrugem davam ao lugar um aspecto abandonado. O cheiro de sal e podridão grudava na garganta, e a luz do luar, quebrada pelas janelas cegas, desenhava barras de prisão na poeira suspensa no ar.

— Parece que Nero está lá dentro. Como vamos entrar? — perguntou Raziel.

— Silêncio é prioridade — advertiu Wendel. — Se descobrirem, usam Davi como refém.

Miguel assentiu, o olhar duro.

— Temos que nos organizar — disse Wendel.

Raziel observou uma escada de emergência e uma janela quebrada, sugerindo:

— Eu fico de vigia, lá de cima.

— Eu abro caminho — declarou Miguel.

— E eu fecho a retaguarda — completou Wendel.

Três olhares se cruzaram. A caçada havia começado.

— Ele vai precisar disso quando a gente o trouxer de volta — disse Wendel, entregando os óculos de Davi, os mesmos que Sayuri lhe dera mais cedo. Sabia o quanto Miguel estava preocupado. Miguel segurou firmemente, com o olhar fixo nos óculos.

— Ele vai.

Dois homens vigiavam a entrada do galpão, enquanto as câmeras de segurança eram monitoradas de perto. Wendel e Miguel avançaram pelos pontos cegos. Encontraram um vão na parede, escondido num canto escuro invisível para quem estava dentro, e começaram a observar.

O interior era vasto, mal iluminado, coberto de mofo e metal enferrujado. Uma única lâmpada oscilava, lançando sombras distorcidas. Mais acima, pelo buraco aberto no telhado, Raziel se esgueirava silencioso. De sua posição privilegiada, acompanhava cada passo de Nero e cada expressão tensa de Davi, pronto para sinalizar qualquer movimento suspeito.

A respiração de Miguel pesava. Ele via a cena à distância, mas o corpo inteiro já estava em alerta.

Dentro, Davi permanecia preso a uma cadeira.

— Reconhece? — Nero perguntou ao mostrar alguns papéis, com uma voz macia, quase sedutora. — Raziel quase descobriu.

— Fraudes bancárias? — Davi arqueou a sobrancelha, sarcástico.

— Não me subestime. — Nero girava ao redor dele, quase dançando.

— O que começou com invasões e pequenos golpes virou algo muito maior. Lavagem, redes fantasmas, contratos falsos… Eu aprendi a reger a orquestra naquele hotelzinho para onde você me mandou anos atrás.

— Sempre foi um parasita — disse Davi, firme. 

— Só precisava de um hospedeiro novo.

— Hehe… — Nero riu baixo. — E o melhor hospedeiro foi o meu pai. Ele queria ter influência, mas não tinha coragem de sujar as mãos. Eu dei coragem a ele. Fiz parecer um bom negócio, visionário. Convenci-o de que era o progresso.

— Então você enganou até o próprio pai. Bravo! Quer uma medalha? — Davi soltou uma risada seca.

Nero inclinou-se até quase tocar o rosto dele.

— Eu já tenho. — Seus dedos deslizaram pelo rosto de Davi.

Ele, por sua vez, respirou fundo para conter a náusea e soltou um:

— Urg! Patético.

Os olhos de Nero caíram em falso, mas o sorriso se manteve.

— E ainda assim, sou um maestro. Até você está aqui, ouvindo cada palavra minha!

— Pode ter usado o Breno. Mas a mim, não.

— Não preciso usar você, Davi. Só preciso que faça uma escolha. — Nero suspirou, saboreando a própria voz.

Passou o dedo pelo celular em cima da mesa.

— Fique ao meu lado, e eu protejo Raziel, Miguel, todos. Se recusar… vai ver seus amigos virarem pó antes do amanhecer.

O silêncio pesou. A lâmpada piscava, criando sombras longas nas paredes descascadas. Davi apertou os dentes, o olhar faiscando.

Enquanto isso, Raziel observava de cima, o cenho franzido. Estava prestes a avisar algo quando percebeu o pior: Nero não estava mais falando para Davi, e sim para outra pessoa. No centro, Nero virou-se de repente.

— Ora, ora… o velho cordeiro resolveu sair?

Das sombras, Raziel viu Breno emergir. O ar se esvaiu de seus pulmões não pela surpresa, mas pela humilhação. Nero já sabia que ele estava ali. E agora fazia questão de expô-lo como o idiota cúmplice idiota por trás de sua orquestra.

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