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Rastros de Silêncio

Epílogo (Sem censura)

Epílogo (Sem censura)

May 01, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Sexual Content and/or Nudity
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Era uma manhã de verão, daquelas que chegam cedo demais no apartamento de Davi.

A luz do nascer do sol atravessava a cortina e desenhava linhas douradas pelo quarto, deixando que o dia já estava desperto. Ao ouvir o despertador, Davi abriu os olhos com um suspiro curto já cansado antes mesmo de se levantar. O teto era o mesmo de sempre, mas havia algo diferente no ar. Uma expectativa leve, silenciosa, quase absurda.

Ele suspirou outra vez, achando ridículo sentir aquilo tão cedo, e se sentou na cama, tentando ignorar.

Qual era o motivo da expectativa?

Era um dia especial. Um encontro com o namorado.

No banheiro, a água fria escorreu pelo rosto e pelo pescoço, ajudando a organizar os pensamentos. Vestiu-se sem pressa, como quem tenta disfarçar o próprio nervosismo. Camiseta verde-oliva de mangas curtas e gola em V, bermuda azul-acinzentada, larga e confortável. Calçou os tênis vermelhos de cano baixo, puxou as meias brancas até metade da panturrilha e, por último, as luvas pretas sem dedos.

As luvas sempre por último.

No espelho, parecia pronto para qualquer coisa.

Isso o tranquilizou. Ou quase.

O convite voltou como um eco atrasado enquanto ele pegava a mochila e as chaves.

Lembrou de Miguel falando rápido, empolgado, numa tarde qualquer no escritório. Davi tinha concordado no automático, mais atento ao jeito como ele sorria do que às palavras. Só depois, sozinho, percebeu que não fazia ideia do plano.

E ainda assim não perguntou.

Agora era tarde.

O escritório estava vazio quando ele chegou quieto demais para uma manhã comum. A luz entrava pelas janelas e desenhava sombras longas no chão, como ponteiros silenciosos marcando o tempo.

Miguel apareceu com energia demais para aquele horário.

Usava uma regata bege-amarelada que deixava os braços à mostra, a pele já dourada pelo sol. A bermuda curta, em tom salmão, tinha bolsos laterais e caimento ajustado. Meias pretas e tênis em tons terrosos completavam o conjunto. Forte. Simples. Inteiro naquele instante.

Ele passou a mão pelos cabelos longos e sorriu.

— Cheguei cedo demais.

— Você sempre chega — Davi respondeu.

Só depois percebeu o quanto aquilo era verdade.

Sem perguntar para onde iam, os dois saíram.

Miguel havia alugado um carro. Pela estrada, desceram a serra que se abria diante deles como uma lembrança antiga: curvas suaves, o verde espesso das árvores, o cheiro úmido de terra e vento entrando pelas janelas abertas.

Miguel cantava alguma coisa fora de tom.

Davi observava, rindo de uma palavra errada, de uma nota inexistente, do jeito distraído com que ele dirigia como se o mundo estivesse, finalmente, no lugar certo.

Em certo momento, Miguel silenciou. Não era um constrangimento. Era como se quisesse guardar aquele instante dentro de si.

— Você confia em mim?

Davi virou o rosto, sustentando o olhar.

— Mais do que deveria.

O carro fez a última curva.

O cheiro veio primeiro: sal, maresia, sol quente em areia. Depois, o som constante das ondas.

Então a praia se abriu diante deles.

Assim que pararam, Miguel largou os tênis na areia e correu em direção ao mar, rindo alto quando a água fria bateu nas pernas. O vento levantava os fios do cabelo dele, e o brilho nos olhos parecia refletir o céu inteiro.

Davi ficou parado por um instante. Observou o ritmo das ondas, calculou a temperatura imaginada, sentiu o peso do próprio corpo contra o chão quente.

Miguel virou-se.

— Vai ficar aí filosofando ou vem?

Davi tirou as luvas com cuidado e as guardou na mochila.

Entrou devagar. Mas logo uma onda veio e o molhou inteiro.

A água gelada arrancou um suspiro dele, seguido pela gargalhada de Miguel.

Riram juntos. Sem motivo. Só porque sim.

O dia passou num piscar de olhos: areia grudada na pele, sal secando nos lábios, conversas leves, ombros que se tocavam sem querer. Pequenas coisas. Bobas. Perfeitas.

*  *  *

À noite, escolheram um hotel pequeno, quase esquecido pelo litoral.

O tilintar do sino sobre a porta soou quando entraram. A recepção era pequena, iluminada por uma luz amarelada que deixava tudo com aparência de fim de tarde permanente. O ar cheirava a madeira antiga e produto de limpeza. Atrás do balcão, um ventilador girava devagar, fazendo os papéis vibrarem.

Davi parou um passo atrás de Miguel.

Miguel apoiou os cotovelos no balcão com naturalidade demais para quem claramente não fazia ideia de como agir num check-in.

— Boa noite. A gente precisa de um quarto.

A recepcionista ergueu os olhos devagar. Primeiro olhou para Miguel. Depois para Davi. Depois para os dois juntos.

— Nome e documentos.

— Miguel Fernandes. Aqui.

Enquanto ela digitava, o som das teclas ecoava no pequeno espaço.

— Quarto de casal?

Miguel assentiu rápido demais.

— Isso.

Davi desviou o olhar para o chaveiro pendurado na parede, sentindo o calor subir pelo rosto.

A mulher colocou a chave sobre o balcão.

— Café da manhã até as sete. A senha do Wi-Fi está na plaquinha do quarto. Check-out ao meio-dia.

— Só isso? — perguntou Miguel, pegando a chave.

— …sim?

— Ah. Tá. Perfeito.

No corredor estreito, o carpete macio abafava os passos. O som distante do mar parecia acompanhar cada movimento.

Quando chegaram à porta, Miguel parou.

Girou a chave.

Olhou para Davi.

Por um segundo inteiro, não abriu.

Era a consciência do que aquilo significava: a primeira noite juntos num mesmo quarto, numa mesma cama, desde que começaram a namorar.

Davi percebeu a hesitação. Dessa vez, não provocou.

A porta se abriu com um clique baixo.

O quarto tinha cheiro de sal e lençóis recém-lavados. A janela aberta deixava entrar o sussurro constante do mar.

— Nossa… isso aqui é menor do que eu imaginava.

— Hum.

De repente, outro clique. A porta sendo trancada.

Um arrepio percorreu a nuca de Davi.

Miguel se aproximou sem anúncio, sem pressa, mas inevitável.

— Eu pensei nisso mais vezes do que devia — disse Miguel, com a voz baixa e cheia de intenção.

— Eu também — respondeu Davi, com o coração acelerado.

“Já faz quanto tempo? Será que eu ainda sei como é?”, começou a divagar.

Miguel ergueu os dedos, e o toque veio primeiro nos fios loiros, depois na nuca, sempre cuidadoso, como um pedido de permissão.

O beijo começou tímido: apenas as pontas das línguas se encontrando, quentes, cheias de uma ternura quase dolorosa. O sal da pele, o cheiro de mar impregnado nos dois, o calor acumulado do dia tudo se misturava. Aos poucos, a intensidade cresceu, devorando o ar entre eles.

As mãos largas de Miguel desceram até a cintura estreita de Davi. As coxas se roçaram; Davi sentiu o próprio corpo endurecer contra o quadril dele. Miguel deslizou a palma por cima da bermuda azul-acinzentada, sentiu o tecido úmido na ponta, o volume pulsando sob seus dedos.

Quando os lábios se separaram, Miguel pegou a mão de Davi e levou as cicatrizes antigas aos lábios um gesto silencioso, reverente. A respiração de Davi falhou por um instante.

Nos olhos dourados de Miguel havia fome, mas também algo mais profundo: reconhecimento, cuidado, como se ele soubesse exatamente o que aquelas marcas significavam.

Eles se moveram até a cama, arrastados pela mesma maré.

Davi deitou de costas. Miguel arrancou a própria camiseta num gesto só; o corpo musculoso e bronzeado se revelou por inteiro. O short caiu, o membro pesado batendo contra o abdômen. Os lençóis ainda quentes os envolveram.

Ele retomou os beijos devagar: orelhas, pescoço, clavículas, mamilos. Cada toque faiscava. Desceu ao peito de Davi e circulou a aréola com a língua, depois sugou com calma, alternando os lados. Aumentou aos poucos, dentes de leve, dedos apertando e girando o outro mamilo, mantendo o estímulo constante.

Davi arqueou as costas com força. Um gemido rouco escapou; as mãos agarraram os lençóis; o corpo inteiro tremeu. Abriu mais as pernas instintivamente, o pau latejando visivelmente sob o tecido.

Miguel ergueu o rosto, lábios molhados, olhos brilhando de desejo. Davi estava ofegante, peito subindo e descendo rápido, mamilos vermelhos e inchados, implorando por mais sem precisar de palavras.

— Hngh… ngh… — Davi deixou escapar, a mão descendo até envolver o membro de Miguel, espalhando o líquido claro que já escorria.

Miguel roçou os lábios no peito dele mais uma vez, traçou a língua até o umbigo, então sussurrou contra a pele:

— Vira de ladinho pra mim.

Davi obedeceu, o corpo tremendo levemente não de medo, mas da antecipação que crescia como onda.

Miguel cuspiu na palma, massageou a entrada com dedos lentos, abrindo sem urgência. Ele havia, silenciosamente, pegado um preservativo. Quando os dedos deslizavam com facilidade, ele guiou a cabeça até tocar a entrada e pressionou devagar. Davi tensionou por um segundo, mas assentiu:

— Continue...

Centímetro a centímetro, Miguel entrou, parando toda vez que sentia a contração. Quando os quadris finalmente se encaixaram, ficaram imóveis, apenas sentindo o pulso um do outro naquela conexão quente e crua.

O mundo encolheu ao redor deles.

Miguel começou com movimentos curtos, depois longos e profundos, a mão envolvendo o pau de Davi no mesmo ritmo. O colchão rangia baixo, o vento batia na janela, o suor colava suas costas.

Davi tentava se conter, mas, quando Miguel acertou exatamente o ponto certo, um gemido alto escapou voz partida, quase súplica.

— Aí… por favor… não para…

Miguel obedeceu. Mão firme, quadris em sintonia perfeita. Quando o prazer começou a latejar de forma insuportável, ele desacelerou, testa encostada na de Davi.

Um olhar trocado.

Davi assentiu.

— Pode vir… mmph!!

O clímax chegou como maré alta. Davi agarrou o rosto dele, beijou com força desesperada. Vieram juntos: Miguel dentro dele, pulsos quentes se chocando; Davi na mão de Miguel, espasmos que os sacudiam por inteiro.

Depois, Miguel o abraçou, e eles ficaram entrelaçados, ofegantes, sem se separar. O corpo dele parecia um abrigo ao redor de Davi.

E só isso bastou.

*  *  *

A manhã seguinte chegou silenciosa.

Davi acordou primeiro. O quarto estava banhado por luz suave. Ao lado dele, Miguel dormia com o rosto tranquilo, uma mão solta entre os lençóis.

Foi então que Davi percebeu.

Sua mão direita repousava sobre o peito.

Sem luvas.

As cicatrizes estavam visíveis. Claras. Incontestáveis.

E ali, firme, simples… uma aliança.

O ar pareceu faltar por um instante.

Miguel se mexeu, acordando devagar, e seguiu o olhar dele.

— É só um anel de compromisso — disse, com a voz rouca de sono. — Mas é sua escolha.

Davi não escondeu a mão.

Entrelaçou os dedos nos dele.

— E eu escolho. Todo dia.

Miguel o observou em silêncio.

— Você tem certeza?

Davi respirou fundo.

— Tenho medo. Mas tenho certeza.

Algo se assentou dentro dele. Não era posse. Não era impulso. Era uma decisão.

Eles não anunciaram nada.

Não precisaram.

O acordo estava feito na luz da manhã, na mão descoberta, na escolha silenciosamente repetida.

Fim

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